Marcelo estava com André no já conhecido Café Hollywood tomando o seu café e esperando o amigo esclarecer todas as suas duvidas sobre Julia.
- E então? - Disse Marcelo colocando a xícara de café no pires enquanto olhava nos olhos de André.
- E então o que? - Disse André com uma cara confusa.
- Você conhece a Julia? Como assim "Já namoramos"?
- Ah, a Julia foi o grande amor de minha vida. - Disse André brincando. Marcelo continuou olhando pra ele com uma cara nada amigável. - Terminei com ela a 4 mêses atrás...
- Só 4 mêses? Bem, isso foi antes do cursinho começar e eu te rever... namorava ela desde quando? Eu deveria lembrar dela. Afinal, se foi "O amor de sua vida, ui ui ui" você deve ter ficado ela por um bom tempo.
- Namorei ela desde Janeiro...
- E terminou com ela em março? - Marcelo fez uma cara de espanto.
- É oras, 2 mêses... Um recorde. - André começou a gargalhar.
- Piff... E eu achando que você falava sério... - Marcelo deu o ultimo gole no seu café, pegou seu chiclete e dessa vez jogou a embalagem na testa de André.
- Ai Marcelo, você me diverte... - André ainda estava tentando parar de dar risada.
- Chega né, André?
- Ok, ok... Mas bem, então é a Julia né? - Disse André enquanto parava de rir.
- Sim, a Julia. - Disse Marcelo enquanto uma música começava a tocar no estabelecimento:
"
Hey where did we go
Days when the rains came
Down in a hollow
Playin' a new game
Laughin' and a runnin' hey hey
Skippin' and a jumpin'
In the misty mornin' fog
With our, our hearts a thumpin'
And you my brown eyed girl
You my brown eyed girl
"
- Cuidado amigo, ela é meio inconstante. Se é que você me entende... - Disse André olhando para a rua.
- Como assim? A Julia é um doce de pessoa!
- É, mas as vezes eu penso que existem pelo menos umas 4 Julias naquele corpo. - André deu uma risadinha cínica enquanto mordia sua barra de cereais tranquilamente.
- Você é que é fresco André... Aposto que você deve ter provocado isso nela! - Marcelo parecia querer, também, tirar um sarro do amigo.
- Ha, ha, ha. Você que sabe Marcelo. - Disse debochadamente André. - Vamos voltar a aula!
Naquela noite de Quarta-Feira Marcelo decidiu ligar para Julia para ver como ela estava. Ainda eram sete da noite. O telefone tocou 4 vezes e finalmente foi atendido por uma voz bem grossa:
- Alô? - Disse a voz.
- O-oi, eu queria falar com a Julia, por favor.
- Vou chama-la. - A voz grossa de repente ficou mais distante pois chamava Julia.
- Alô, quem fala? - Julia atendeu o telefone.
- Oi Julia, sou eu.
- "Eu" quem?
- Eu, Marcelo! Lembra de domingo a noite?
- Ahh sim! Oi Marcelo! Desculpa, ainda não me acostumei com a sua voz. - Disse Julia sorrindo com um tom meio envergonhado.
- Liguei para ver como você está!
- Ah, eu estou bem...
- É mesmo? E o livro, quando vou poder ler?
- Hum... Em breve!
- Que tal na sexta a noite? No mesmo banco?
- Pode ser! Te vejo lá as... - Parou para pensar um pouco. - Que tal as oito da noite?
- Combinado! Estarei esperando, hein?
- Pode deixar Celo, posso te chamar assim né? - Disse dando uma risadinha.
- Pode sim, hehe.
- Ok. Então... - De repente parou de falar, sua voz reapareceu, só que não era direcionada a ele e sim a outra pessoa - Calma, espera aí, já to indo!
- Alô?
- Espera Marcelo... - Disse secamente enquanto continuava a falar alto - Não pode fazer sozinho enquanto eu falo no telefone? É só olhar e desligar quando estiver pronto, caralho!
Marcelo esperarva, meio envergonhado.
- Olha Marcelo, te vejo na sexta, aqui tá um inferno!
- Ok. Te vejo sexta, beijos Julia!
- Tchau.
Marcelo ficou imaginando como seria a casa de Julia naquele momento. Estava com uma sensação ruim pelo final da conversa, mas sabia que não era por causa dele. Resolveu então deitar na sua cama e ir dormir. Mas seus pensamentos estavam confusos. Uma nova relação fazia isso com ele. Já teve muitas experiências ruims no passado e não aentendia como funcionava a engrenagem chamada "Amor". Era algo que, pelo que ele entendia, deveria ser um sentimento bom. Mas trazia tanto sofrimento e provações. Por quê ele tinha que passar po essas provas? Pra que sofrer? Ele não sabia a resposta. Mas sabia que todas as meninas que ele teve uma relação sem sofrimento, pelo menos pra ele, não duraram muito tempo.
Decidiu então parar de divagar e dormir. Amanhã seria outro dia. No seu rádio - tinha o costume de ouvir música para dormir - tocava uma música:
"
Atravesso a noite com um verso
Que não se resolve
Na outra mão as flores
Como se flores bastassem
Eu espero
E espero
Não funcionam luzes, telefones
Nada se resolve
Trens parados, carros enguiçados
Aviões no pátio esperam
E esperam
A chave que abre o céu
D´aonde caem as palavras
A palavra certa
Que faça o mundo andar
"

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