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    <title>Blue Fics</title>
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    <description>Read and Enjoy The Song!</description>
    <language>en-us</language>
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    <pubDate>Fri, 06 Nov 2009 06:54:04 GMT</pubDate>
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    <itunes:summary>Lugar onde divulgarei minha fic: Antes que Seja Tarde</itunes:summary>
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      <title>Antes que Seja Tarde Cap 10</title>
      <description>&lt;img src="http://walbher.podOmatic.com/mymedia/thumb/21410/0x0_641379.jpg" alt="itunes pic" /&gt;&lt;br /&gt;A aula havia acabado, Marcelo e Andr&#233; estavam se dirigindo &#224; sa&#237;da. Mas na hora de se despedirem Marcelo falou:

- Andr&#233;, vamos ao Hollywood?

- Agora? N&#227;o posso ficar atrasando muito pra chegar em casa, sen&#227;o pegam no meu p&#233;. &#8211; Disse sorrindo como sempre.

- Agora. &#201; importante. &#8211; Marcelo disse seriamente. O que fez Andr&#233; estranhar e resolver aceitar o convite.

Chegando l&#225; Marcelo pediu um caf&#233; e Andr&#233; preferiu um suco qualquer. No estabelecimento, como sempre, tocava uma m&#250;sica mais antiga:

&#8220;Everybody trying to tell me that you didn't mean me no good.
I've been trying, lord, let me tell you, let me tell you I really did the best I could.
I've been working from seven to eleven every night, I said it kinda makes my life a drag.
Lord, that ain't right...
Since I&#8217;ve been loving you, I&#8217;m about to lose my worried mind.&#8221;

- Siiiiinnnnccceeeeeeee&#8230; cof &#8211; Andr&#233; tirava um sarro enquanto ouvia a m&#250;sica. Marcelo continuava s&#233;rio olhando para a janela.

- Parece que ele n&#227;o est&#225; muito bem! &#8211; Disse o dono do Caf&#233;.

- Concordo com o senhor &#8211; Disse Andr&#233; com a voz um pouco rouca, tinha exagerado um pouco no berro. Voltou-se para Marcelo &#8211; E a&#237;, o que foi que aconteceu garoto?

- Julia. &#8211; Disse secamente e em voz baixa.

- Que tem ela? Vai dizer que ela te deu um p&#233;?!

- N&#227;o... O que eu queria perguntar para voc&#234; &#233;... &#8211; Parou um pouco, pois Andr&#233; levantou para pegar as bebidas e o a&#231;&#250;car.

- Pronto, pode continuar. &#8211; Andr&#233; piscou enquanto bebia um gole de suco.

- Queria saber se Julia tem alguma doen&#231;a...

Andr&#233; parou de beber o suco, olhou para Marcelo de um modo s&#233;rio e preocupado.

- Como assim? Ela est&#225; mal?

- Ontem... Ela estava na cama, muito quente, muito mal. Deu um berro para que eu sa&#237;sse do quarto dela. Voc&#234; n&#227;o sabe de nada? &#8211; Marcelo fitava Andr&#233; no rosto esperando uma resposta com a cara mais preocupada que tinha. 

Andr&#233; tamb&#233;m n&#227;o estava com uma cara boa agora, mas acabou dizendo:

- O caf&#233; vai esfriar. Melhor tomar antes que fique horr&#237;vel. &#8211; Depois voltou ao clima s&#233;rio, enquanto Marcelo colocava a&#231;&#250;car no caf&#233;, deixando muitos dos cristais ca&#237;rem em volta da x&#237;cara. &#8211; Olha Celo... Eu n&#227;o sei. Julia sempre escondeu as coisas de mim. Ela sumia alguns dias e n&#227;o dava not&#237;cias... Era estranho.

- Entendo... Agora eu n&#227;o sei o que fazer. Do jeito que ela falou comigo...

- Marcelo, olhe pra sua cara. Voc&#234; est&#225; um caco por causa disso. Bem que eu percebi que n&#227;o estava prestando aten&#231;&#227;o na aula. &#8211; Andr&#233; catou a colher de a&#231;&#250;car da m&#227;o de Marcelo, serviu e mexeu o a&#231;&#250;car que estava acabando j&#225; de tanto desperd&#237;cio. &#8211; Voc&#234; gosta dela, n&#227;o?

- Sim.

- Ent&#227;o v&#225; ver ela. J&#225; passou, foi ontem. Aposto que Julia deve estar pensando que voc&#234; vai abandonar ela por causa desse fato estranho. Conhe&#231;o a figura. &#8211; Na verdade Andr&#233; n&#227;o conhecia quase nada de Julia, mas era por uma boa causa. &#8211; Quer que eu v&#225; junto?

- Pode? Eu n&#227;o queria aparecer sozinho... &#8211; Marcelo estava com medo.

- Posso, mas depois n&#227;o vou ficar segurando vela, hein? &#8211; Andr&#233; deu um tapinha na testa de Marcelo e levantou para pagar as bebidas. &#8211; Deixa essa por minha conta. &#8211; Deu o dinheiro pro homem que ao devolver o troco chegou perto de Andr&#233; pra dizer:

- Mulher? &#8211; Fez sinal com a cabe&#231;a na dire&#231;&#227;o de Marcelo

- Pois &#233;... Esses garotos de hoje em dia! &#8211; Andr&#233; disse num tom mais alto para chamar a aten&#231;&#227;o do amigo. &#8211; Vamos l&#225;? &#8211; Jogou um chiclete na dire&#231;&#227;o de Marcelo que depois de dar uns cinco tapas em falso no doce pra tentar pegar deixou-o cair pela janela do estabelecimento. &#8211; &#201; melhor irmos mesmo!

- Foi s&#243; um momento de distra&#231;&#227;o. &#8211; Disse Marcelo um pouco seco e envergonhado. &#8211; Vamos, vamos.

Pegaram o &#244;nibus num ponto ali perto. Marcelo foi calado, olhando para a rua, preocupado. Andr&#233; preferiu n&#227;o falar nada e ficou olhando o movimento no pr&#243;prio &#244;nibus. Uma senhora velha estava comentando com uma mulher que tinha cedido o lugar para ela:

- Hoje em dia n&#227;o existem muitas pessoas como voc&#234;, minha filha. Acredita que ontem um garoto jovem passou na frente de mim s&#243; pra sentar no banco antes de mim? Fiquei toda balan&#231;ando no &#244;nibus.

- Pois &#233; senhora! Essas coisas infelizmente acontecem!

- &#201;&#233;&#233;, e n&#227;o &#233; s&#243; isso... &#8211; Continuou a velha por um tempo. Andr&#233; n&#227;o ouviu at&#233; o fim porque o &#244;nibus j&#225; havia chego no ponto em que desceriam.

- E por onde vamos, Romeu? &#8211; Andr&#233; deu um abra&#231;o de um bra&#231;o em Marcelo enquanto andava.
- Por ali. &#8211; Bufou Marcelo.

- Positivo e operante, capit&#227;o!

---

Julia estava cansada. Foi para escola mesmo depois do acontecimento do dia anterior. N&#227;o conseguiu entender nada do que o professor disse. Ignorou tudo o que disseram para ela. Estava chegando em sua casa, estava na mesma quadra j&#225;. Mas quando virou a esquina, voltou bruscamente. Tinha visto algo: Marcelo. O que ele estava fazendo em frente a sua casa? O que Andr&#233; fazia do lado dele? Ficou ali, parada, esperando e espiando enquanto Marcelo recebia a not&#237;cia da m&#227;e de Julia que ela n&#227;o estava, mas deveria voltar em breve.

- Pois &#233;, vamos esperar? &#8211; Disse Andr&#233;.

- Vamos, ela deve estar chegando. &#8211; Marcelo sentou na cal&#231;ada encostando-se &#224; parede do pr&#233;dio. Continuava s&#233;rio.

- O que pretende falar para ela?

- N&#227;o sei. S&#243; queria ver ela, mostrar que estou aqui pro que der e vier.

- E voc&#234; est&#225; mesmo pronto pro que der e vier? &#8211; Andr&#233; virou o rosto para olhar Marcelo e percebeu que algu&#233;m estava os espionando.

- S-Sim, n&#233;? Eu amo ela.

- Que palavra forte garoto. Como pode us&#225;-la assim?

- N&#227;o sei, s&#243; sei que &#233; o que eu sinto e pronto. &#8211; Marcelo aumentou o tom de voz. Precisa de explica&#231;&#227;o s&#233;ria?

- Mas &#233; claro, que coisa! Me diz, o que voc&#234; viu na Julia?

- Tudo ora bolas. Julia &#233; linda, engra&#231;ada, divertida, carinhosa, inteligente. N&#227;o tem como n&#227;o ser sugado por ela todo o momento. Eu n&#227;o estudo direito, eu n&#227;o durmo direito, eu n&#227;o como direito. Eu fico pensando se ela est&#225; bem agora, porque ela foi pra escola mesmo daquele jeito...

- Mas que munitinho! &#211; Marcelo Augusto &#8211; Andr&#233; colocou o bra&#231;o na testa imitando algum ator de novela mexicana.

- Voc&#234; faz isso porque n&#227;o entende o que eu passo. Voc&#234; &#233; galinha.

- Pelo menos n&#227;o fico a&#237; chorando. Bem, tenho de ir, n&#227;o posso ficar aqui recebendo xingamentos o dia todo. Tenho mais o que fazer. &#8211; Andr&#233; levantou e saiu andando at&#233; virar a esquina do lado.

- At&#233;... &#8211; Marcelo falou antes dele virar.
Quando Andr&#233; virou a esquina, deu de cara com Julia e piscou para ela. Julia estava chorando, mas estava muito feliz, estava sorrindo enquanto chorava. Deu um beijo na bochecha de Andr&#233; e virou. Marcelo tinha levantado e estava de costas para ela, ela deu um pulo nas costas dele. Assustando por um espa&#231;o pequeno de tempo.

- Pensei que nunca mais iria te ver. &#8211; Julia dizia ainda chorando um pouco.

- Pois &#233;, eu tamb&#233;m achei que nunca iria ver voc&#234; tamb&#233;m. Achei que iria me evitar. Andr&#233; que me deu coragem para vir aqui. &#8211; Marcelo n&#227;o ag&#252;entou por muito o tempo o peso de Julia, era muito magrelo. Deixou-a descer, virou de frente pra ela e deu-lhe um beijo, um beijo muito mais intenso do que os anteriores.

- Bobo, nunca faria isso com voc&#234;. Mas me diz, tudo aquilo que disse pro Andr&#233; era verdade?

- Voc&#234; ouviu?

- Julia sabe de tudo! &#8211; Piscou pra ele.

- &#211;, n&#227;o tenho segredos! &#8211; Marcelo colocou a m&#227;o na sua cabe&#231;a. &#8211; Mas, sim, era verdade. Nunca minto para Andr&#233;. N&#227;o vale a pena. &#8211; Deu uma risada. &#8211; Mas, eu gostaria de saber, o que foi aquilo?

- Vamos subir. &#8211; Disse Julia de prontid&#227;o como se fosse a coisa mais l&#243;gica a fazer.

-Ok. - Marcelo segurou a sua m&#227;o e subiu com ela.

O quarto de Julia estava bem desarrumado, com cobertas pelo ch&#227;o e livros abertos pelos cantos. Marcelo se assustou um pouco, mas disfar&#231;ou. Estava preocupado com outra coisa agora.

- Ta uma bagun&#231;a, eu sei, ta? &#8211; Julia deu um sorriso para Marcelo enquanto admitia sua culpa.

- Tudo bem, o meu fica assim &#224;s vezes. &#8211; Marcelo sentou na cama, do lado de Julia e voltou ao assunto. &#8211; E ent&#227;o?

Tudo que se ouviu, foi a explica&#231;&#227;o de sempre. Ela n&#227;o sabia o que era aquilo, s&#243; sabia que aquilo atrapalhava sua vida, contou das perdas, dos desesperos, desabafou com Marcelo. At&#233; sobre Andr&#233;.

- Nossa Julia... &#8211; Marcelo estava mudo depois de ouvir aquilo tudo. Julia estava com l&#225;grimas ao olho. &#8211; Eu n&#227;o sei o que falar... Que barra pesada...

- Tudo bem, eu sei que &#233; estranho. &#8211; Julia disse meio envergonhada.

- Mas voc&#234; disse que a dor aumenta cada vez mais. E agora est&#225; muito forte, ser&#225; que n&#227;o &#233; melhor procurar mais ajuda?

- Ningu&#233;m pode me ajudar Marcelo. O importante pra mim &#233; voc&#234; ficar ao meu lado.
- Ent&#227;o eu ficarei! Pode contar comigo! &#8211; Marcelo deu um selinho no rosto de Julia tentando anima-la.

- S&#233;eerio?  Vou acreditar, hein? &#8211; Julia chegava perto de Marcelo para dar-lhe outro beijo.

De repente ouviu-se uma voz ao fundo:

- E a&#237; menina? Vai ficar a&#237; o dia todo ou vai me ajudar a arrumar tudo? Tem que estudar tamb&#233;m! N&#227;o &#233; hora de namoricos! &#8211; A voz parecia bem irritada.

- Opa, melhor voc&#234; ir Marcelo. Depois a gente se v&#234;, n&#233;? &#8211; Julia deu outro selinho nele.

- Pode deixar! E eu vou estar sempre do seu lado hein? &#8211; Marcelo ia saindo pela porta.

- Olha l&#225;! Sem quebrar promessas. Quero voc&#234; sempre do meu lado...

Marcelo saiu pela porta, Julia levantou triste de sua cama e enquanto arrumava sua cama l&#225;grimas caiam mais uma vez.

-... Mesmo que isso s&#243; fa&#231;a a dor aumentar...

&#8220;If you still want me, please forgive me,
the crown of love is not upon me
If you still want me, please forgive me,
cause this crown is not within me.
it&#8217;s not within me, it&#8217;s not within me.&#8221;</description>
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      <pubDate>Thu, 03 Aug 2006 03:26:17 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-11</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2006-08-03</dcterms:created>
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      <dc:creator>walbher</dc:creator>
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      <itunes:summary>A aula havia acabado, Marcelo e Andr&#233; estavam se dirigindo &#224; sa&#237;da. Mas na hora de se despedirem Marcelo falou:

- Andr&#233;, vamos ao Hollywood?

- Agora? N&#227;o posso ficar atrasando muito pra chegar em casa, sen&#227;o pegam no meu p&#233;. &#8211; Disse sorrindo como sempre.

- Agora. &#201; importante. &#8211; Marcelo disse seriamente. O que fez Andr&#233; estranhar e resolver aceitar o convite.

Chegando l&#225; Marcelo pediu um caf&#233; e Andr&#233; preferiu um suco qualquer. No estabelecimento, como sempre, tocava uma m&#250;sica mais antiga:

&#8220;Everybody trying to tell me that you didn't mean me no good.
I've been trying, lord, let me tell you, let me tell you I really did the best I could.
I've been working from seven to eleven every night, I said it kinda makes my life a drag.
Lord, that ain't right...
Since I&#8217;ve been loving you, I&#8217;m about to lose my worried mind.&#8221;

- Siiiiinnnnccceeeeeeee&#8230; cof &#8211; Andr&#233; tirava um sarro enquanto ouvia a m&#250;sica. Marcelo continuava s&#233;rio olhando para a janela.

- Parece que ele n&#227;o est&#225; muito bem! &#8211; Disse o dono do Caf&#233;.

- Concordo com o senhor &#8211; Disse Andr&#233; com a voz um pouco rouca, tinha exagerado um pouco no berro. Voltou-se para Marcelo &#8211; E a&#237;, o que foi que aconteceu garoto?

- Julia. &#8211; Disse secamente e em voz baixa.

- Que tem ela? Vai dizer que ela te deu um p&#233;?!

- N&#227;o... O que eu queria perguntar para voc&#234; &#233;... &#8211; Parou um pouco, pois Andr&#233; levantou para pegar as bebidas e o a&#231;&#250;car.

- Pronto, pode continuar. &#8211; Andr&#233; piscou enquanto bebia um gole de suco.

- Queria saber se Julia tem alguma doen&#231;a...

Andr&#233; parou de beber o suco, olhou para Marcelo de um modo s&#233;rio e preocupado.

- Como assim? Ela est&#225; mal?

- Ontem... Ela estava na cama, muito quente, muito mal. Deu um berro para que eu sa&#237;sse do quarto dela. Voc&#234; n&#227;o sabe de nada? &#8211; Marcelo fitava Andr&#233; no rosto esperando uma resposta com a cara mais preocupada que tinha. 

Andr&#233; tamb&#233;m n&#227;o estava com uma cara boa agora, mas acabou dizendo:

- O caf&#233; vai esfriar. Melhor tomar antes que fique horr&#237;vel. &#8211; Depois voltou ao clima s&#233;rio, enquanto Marcelo colocava a&#231;&#250;car no caf&#233;, deixando muitos dos cristais ca&#237;rem em volta da x&#237;cara. &#8211; Olha Celo... Eu n&#227;o sei. Julia sempre escondeu as coisas de mim. Ela sumia alguns dias e n&#227;o dava not&#237;cias... Era estranho.

- Entendo... Agora eu n&#227;o sei o que fazer. Do jeito que ela falou comigo...

- Marcelo, olhe pra sua cara. Voc&#234; est&#225; um caco por causa disso. Bem que eu percebi que n&#227;o estava prestando aten&#231;&#227;o na aula. &#8211; Andr&#233; catou a colher de a&#231;&#250;car da m&#227;o de Marcelo, serviu e mexeu o a&#231;&#250;car que estava acabando j&#225; de tanto desperd&#237;cio. &#8211; Voc&#234; gosta dela, n&#227;o?

- Sim.

- Ent&#227;o v&#225; ver ela. J&#225; passou, foi ontem. Aposto que Julia deve estar pensando que voc&#234; vai abandonar ela por causa desse fato estranho. Conhe&#231;o a figura. &#8211; Na verdade Andr&#233; n&#227;o conhecia quase nada de Julia, mas era por uma boa causa. &#8211; Quer que eu v&#225; junto?

- Pode? Eu n&#227;o queria aparecer sozinho... &#8211; Marcelo estava com medo.

- Posso, mas depois n&#227;o vou ficar segurando vela, hein? &#8211; Andr&#233; deu um tapinha na testa de Marcelo e levantou para pagar as bebidas. &#8211; Deixa essa por minha conta. &#8211; Deu o dinheiro pro homem que ao devolver o troco chegou perto de Andr&#233; pra dizer:

- Mulher? &#8211; Fez sinal com a cabe&#231;a na dire&#231;&#227;o de Marcelo

- Pois &#233;... Esses garotos de hoje em dia! &#8211; Andr&#233; disse num tom mais alto para chamar a aten&#231;&#227;o do amigo. &#8211; Vamos l&#225;? &#8211; Jogou um chiclete na dire&#231;&#227;o de Marcelo que depois de dar uns cinco tapas em falso no doce pra tentar pegar deixou-o cair pela janela do estabelecimento. &#8211; &#201; melhor irmos mesmo!

- Foi s&#243; um momento de distra&#231;&#227;o. &#8211; Disse Marcelo um pouco seco e envergonhado. &#8211; Vamos, vamos.

Pegaram o &#244;nibus num ponto ali perto. Marcelo foi calado, olhando para a rua, preocupado. Andr&#233; preferiu n&#227;o falar nada e ficou olhando o movimento no pr&#243;prio &#244;nibus. Uma senhora velha estava comentando com uma mulher que tinha cedido o lugar para ela:

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      <title>Antes que Seja Tarde Cap 9</title>
      <description>&lt;img src="http://walbher.podOmatic.com/mymedia/thumb/21410/0x0_641380.jpg" alt="itunes pic" /&gt;&lt;br /&gt;Marcelo estava no corredor do pr&#233;dio de Julia. Espera ansiosamente o momento de poder entrar e ver como ela estava. Mas Julia tinha sido muito clara com aquele berro. De repente a porta abriu: Era Nat&#225;lia:

- M&#244;nica? &#8211; Marcelo prontamente levantou do degrau da escada e acabou dando um passo em falso, ainda tinham degraus a serem descidos. Segurou prontamente no corrim&#227;o de alum&#237;nio e conseguiu se equilibrar antes que pudesse ter um encontro nada agrad&#225;vel com a quina de outro degrau. Estava nervoso. Ajeitou-se e continuou: - E a&#237;? Como ela est&#225;?

- Ela est&#225; dormindo. N&#227;o est&#225; mais sentindo dor. Melhor deixar ela um pouco l&#225;.

- O que ela tem afinal? &#8211; Marcelo estava se dirigindo a porta.

- N&#227;o sei, na verdade ela tamb&#233;m n&#227;o me disse o que era. Melhor respeita-la e deixar que durma por um tempo. - Nesse momento Marcelo parou e resolveu concordar com Nat&#225;lia. Iria deixar ela um pouco ali. Iria arrumar algo para fazer enquanto esperava. - Que tal a gente dar uma volta por a&#237; enquanto ela d&#225; uma cochilada?

- Tudo bem. Mas voc&#234; n&#227;o ia ficar a&#237; com ela?

- N&#227;o. Ela pediu para que eu tamb&#233;m a deixasse sozinha. &#8211; Nat&#225;lia fechou a porta que estava ainda um pouco entreaberta. &#8211; Vamos l&#225;?

Os dois seguiram pelas ruas, passaram o BNH, um complexo de pr&#233;dios comunit&#225;rio, e Nat&#225;lia apontou para uma das ruas, incr&#237;vel ela saber qual &#233; pois todas eram iguais, pensou Marcelo, e disse que ali era onde um grande amigo dela morava.

- Pena que ele est&#225; indo pro mau caminho. &#8211; Nat&#225;lia comentava ao ar.

- N&#227;o &#233; a toa... Olha onde ele mora! &#8211; Marcelo tamb&#233;m falava sem pensar. Nat&#225;lia virou e olhou com uma cara feia. Marcelo logo se tocou e resolveu remediar. &#8211; Desculpe, &#224;s vezes falo sem pensar. Mas &#233; que n&#227;o deixa de ser verdade. Olha as caras feias deles enquanto a gente passa.

- Voc&#234; &#233; que ta olhando sem motivo. Qualquer pessoa normal faria cara feia. Adicione tamb&#233;m o fato de voc&#234; estar bem vestido, apesar de desarrumado, e a cara de nojo que fez ao olhar as paredes e as sacadas com roupas penduradas. &#8211; Nat&#225;lia olhou pra Marcelo depois de terminar de falar e deu um sorriso ir&#244;nico. Ele suspirou:

- Admito, sou culpado. Me desculpe.

- Tudo bem, vamos sentar ali? &#8211; Estavam de frente para um shopping que tinha uma bonita fonte com est&#225;tuas de, provavelmente, como pensava Marcelo, Deuses Gregos do mar.

- Vamos sentar na fonte. &#8211; E se sentaram. Por um tempo o sil&#234;ncio reinou. Depois de um tempo de sil&#234;ncio, provavelmente por causa de pensamentos sobre Julia, Nat&#225;lia resolveu quebrar o gelo.

- Voc&#234; conhece a Julia faz muito tempo?

- N&#227;o faz muito tempo. Apesar de que parece que a conhe&#231;o faz gera&#231;&#245;es.

- Eu sei como voc&#234; se sente &#8211; Nat&#225;lia deu uma risada de concord&#226;ncia enquanto falava. &#8211; Eu s&#243; comecei a falar com ela esses dias.

- &#201; da escola dela?

- Sim, sim. Somos de classes diferentes. Mas do mesmo ano. Ela &#233; da 3&#170;A, eu sou da 3&#170;F.

- Eu tenho curiosidade de saber como ela &#233; na escola... Ela deve ser muito popular. N&#227;o tem quem resista a ela! &#8211; Marcelo estava, como sempre, com sua prancha na maionese.

- Hahaha. Voc&#234; &#233; um bobinho apaixonado mesmo. &#8211; Nat&#225;lia continuava rindo enquanto falava. &#8211; Ela na verdade &#233; sozinha l&#225;. Nunca vi ela conversar com ningu&#233;m. Ela no intervalo fica l&#225; num muro parada observando o movimento do p&#225;tio, das casas ao lado, do c&#233;u...

- Nossa! Nunca imaginaria isso. &#8211; Marcelo estava realmente surpreso, e envergonhado pelo fora que tinha dado com sua viagem. &#8211; Porque ser&#225; que &#233; assim?

- N&#227;o sei, talvez ela esteja desiludida com esse mundo...

---

J&#250;lia acordou. N&#227;o estava mais sentindo dor alguma, mas chorava compulsivamente na sua cama, com a cara no travesseiro. Queria parar, mas n&#227;o conseguia. E era sempre assim, dificilmente chorava na frente das pessoas, mas quando estava sozinha compensava a falta de choro e se alagava no meio de suas l&#225;grimas. Olhou para o lado, pegou um copo de &#225;gua deixado ali do lado de sua cama e bebeu para se acalmar. Ainda solu&#231;ava um pouco. De repente ouviu um barulho, algu&#233;m tinha chegado.

- J&#225; disse pra deixarem a porta trancada! &#8211; Ouviu a voz e logo reconheceu o tom. Era sua m&#227;e chegando e reclamando de tudo que via de errado pela frente. Com o tempo a voz foi se aproximando at&#233; que uma mulher apareceu a frente da porta do quarto. &#8211; Que bagun&#231;a &#233; essa menina?

- A dor voltou. N&#227;o conseguia levantar. &#8211; Disse Julia um pouco nervosa e seca.

- E vai me dizer que a dor durou at&#233; agora? Que foi o dia todo? J&#225; cansei dessa desculpa. &#8211; Saiu resmungando para a cozinha, de onde provavelmente tenha dado mais um berro ao olhar para a pia cheia de lou&#231;a.

Julia virou pro lado e viu que tinha dormido a manh&#227; toda e mais um pouco &#224; tarde. J&#225; eram quatro horas. Resolveu levantar e tomar um banho. Suas costas provavelmente estavam cheias de sangue. Retirou o pl&#225;stico que usava na cama e levou-o junto para lava-lo no chuveiro.

Durante o banho, suas costas continuavam a arder. Aquela dor a perseguia desde pequena. Imaginava como teria sobrevivido a essas dores enquanto era apenas um beb&#234;. A maldita chegava sempre de surpresa. &#192;s vezes mais fraca, &#224;s vezes mais forte como naquela manh&#227;. Uma vez aconteceu de a dor aparecer no meio de uma brincadeira com outras colegas do prim&#225;rio. A partir daquele dia as crian&#231;as nunca mais se aproximaram dela com medo do que viram. Depois disso J&#250;lia decidiu n&#227;o se aproximar muito das pessoas. Principalmente as que tinha de ver todos os dias. Poucas pessoas se aproximaram dela, a maioria garotos que se aproximavam pela beleza dela. Amoleceu com o tempo e chegou at&#233; a ceder pra um garoto, Andr&#233;. Ele sempre perseguia Julia com cartas e declara&#231;&#245;es de amor. Julia soube de sua fama e resolveu aproveitar o momento, achou que faria bem viver um pouco. Afinal esse era um relacionamento que acabaria um dia, tinha certeza. Demorou um pouco mais, mas finalmente Andr&#233; um dia desistiu. J&#250;lia achava que estava bem daquele jeito, mas com o tempo foi sentindo saudades de algum amor, de amigos... Foi quando encontrou Marcelo no banco de praia.

- Aquele bobo. Foi bom enquanto durou... &#8211; Julia j&#225; pensava no dia seguinte. J&#225; via Marcelo a evitando... Continuou a chorar l&#225;grimas invis&#237;veis entre a &#225;gua que caia do chuveiro enquanto cantava:

&#8220;In a little while 
I'll be gone 
The moment's already passed 
Yeah it's gone 
And I'm not here 
This isn't happening
I'm not here 
I'm not here

Strobe lights and blown speakers 
Fireworks and hurricanes 
I'm not here 
This isn't happening 
I'm not here 
I'm not here&#8221;
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      <pubDate>Fri, 14 Jul 2006 01:40:28 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-08</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2006-07-14</dcterms:created>
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      <itunes:summary>Marcelo estava no corredor do pr&#233;dio de Julia. Espera ansiosamente o momento de poder entrar e ver como ela estava. Mas Julia tinha sido muito clara com aquele berro. De repente a porta abriu: Era Nat&#225;lia:

- M&#244;nica? &#8211; Marcelo prontamente levantou do degrau da escada e acabou dando um passo em falso, ainda tinham degraus a serem descidos. Segurou prontamente no corrim&#227;o de alum&#237;nio e conseguiu se equilibrar antes que pudesse ter um encontro nada agrad&#225;vel com a quina de outro degrau. Estava nervoso. Ajeitou-se e continuou: - E a&#237;? Como ela est&#225;?

- Ela est&#225; dormindo. N&#227;o est&#225; mais sentindo dor. Melhor deixar ela um pouco l&#225;.

- O que ela tem afinal? &#8211; Marcelo estava se dirigindo a porta.

- N&#227;o sei, na verdade ela tamb&#233;m n&#227;o me disse o que era. Melhor respeita-la e deixar que durma por um tempo. - Nesse momento Marcelo parou e resolveu concordar com Nat&#225;lia. Iria deixar ela um pouco ali. Iria arrumar algo para fazer enquanto esperava. - Que tal a gente dar uma volta por a&#237; enquanto ela d&#225; uma cochilada?

- Tudo bem. Mas voc&#234; n&#227;o ia ficar a&#237; com ela?

- N&#227;o. Ela pediu para que eu tamb&#233;m a deixasse sozinha. &#8211; Nat&#225;lia fechou a porta que estava ainda um pouco entreaberta. &#8211; Vamos l&#225;?

Os dois seguiram pelas ruas, passaram o BNH, um complexo de pr&#233;dios comunit&#225;rio, e Nat&#225;lia apontou para uma das ruas, incr&#237;vel ela saber qual &#233; pois todas eram iguais, pensou Marcelo, e disse que ali era onde um grande amigo dela morava.

- Pena que ele est&#225; indo pro mau caminho. &#8211; Nat&#225;lia comentava ao ar.

- N&#227;o &#233; a toa... Olha onde ele mora! &#8211; Marcelo tamb&#233;m falava sem pensar. Nat&#225;lia virou e olhou com uma cara feia. Marcelo logo se tocou e resolveu remediar. &#8211; Desculpe, &#224;s vezes falo sem pensar. Mas &#233; que n&#227;o deixa de ser verdade. Olha as caras feias deles enquanto a gente passa.

- Voc&#234; &#233; que ta olhando sem motivo. Qualquer pessoa normal faria cara feia. Adicione tamb&#233;m o fato de voc&#234; estar bem vestido, apesar de desarrumado, e a cara de nojo que fez ao olhar as paredes e as sacadas com roupas penduradas. &#8211; Nat&#225;lia olhou pra Marcelo depois de terminar de falar e deu um sorriso ir&#244;nico. Ele suspirou:

- Admito, sou culpado. Me desculpe.

- Tudo bem, vamos sentar ali? &#8211; Estavam de frente para um shopping que tinha uma bonita fonte com est&#225;tuas de, provavelmente, como pensava Marcelo, Deuses Gregos do mar.

- Vamos sentar na fonte. &#8211; E se sentaram. Por um tempo o sil&#234;ncio reinou. Depois de um tempo de sil&#234;ncio, provavelmente por causa de pensamentos sobre Julia, Nat&#225;lia resolveu quebrar o gelo.

- Voc&#234; conhece a Julia faz muito tempo?

- N&#227;o faz muito tempo. Apesar de que parece que a conhe&#231;o faz gera&#231;&#245;es.

- Eu sei como voc&#234; se sente &#8211; Nat&#225;lia deu uma risada de concord&#226;ncia enquanto falava. &#8211; Eu s&#243; comecei a falar com ela esses dias.

- &#201; da escola dela?

- Sim, sim. Somos de classes diferentes. Mas do mesmo ano. Ela &#233; da 3&#170;A, eu sou da 3&#170;F.

- Eu tenho curiosidade de saber como ela &#233; na escola... Ela deve ser muito popular. N&#227;o tem quem resista a ela! &#8211; Marcelo estava, como sempre, com sua prancha na maionese.

- Hahaha. Voc&#234; &#233; um bobinho apaixonado mesmo. &#8211; Nat&#225;lia continuava rindo enquanto falava. &#8211; Ela na verdade &#233; sozinha l&#225;. Nunca vi ela conversar com ningu&#233;m. Ela no intervalo fica l&#225; num muro parada observando o movimento do p&#225;tio, das casas ao lado, do c&#233;u...

- Nossa! Nunca imaginaria isso. &#8211; Marcelo estava realmente surpreso, e envergonhado pelo fora que tinha dado com sua viagem. &#8211; Porque ser&#225; que &#233; assim?

- N&#227;o sei, talvez ela esteja desiludida com esse mundo...

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J&#250;lia acordou. N&#227;o estava mais sentindo dor alguma, mas chorava compulsivamente na sua cama, com a cara no travesseiro. Queria parar, mas n&#227;o conseguia. E era sempre assim, dificilmente chorava na frente das pessoas, mas quando estava sozinha compensava a falta de choro e se alagava no meio de suas l&#225;grimas. Olhou para o lado, pegou um copo de &#225;gua deixado ali do lado de sua cama e bebeu para se acalmar. Ainda solu&#231;ava um po</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>Antes que Seja Tarde Cap 8</title>
      <description>Chegava &#224; hora. Finalmente Marcelo iria ver sua amada. Chegou mais cedo, eram sete horas ainda. Tinha levado o viol&#227;o para tocar para sua amada. Treinava algumas m&#250;sicas enquanto ela n&#227;o chegava:

&#8220;I paint a picture of the days gone by,
When love went blind and you would make me see.
I'd stare a lifetime into your eyes.
So that I knew you were there for me,
Time after time, you were there for me.&#8221;

- Como canta mal hein? &#8211; Algu&#233;m estava falando com ele. N&#227;o era uma voz muito familiar, mas j&#225; a tinha ouvido antes. Resolveu virar para ver quem era e se surpreendeu.

- Voc&#234;? &#8211; Marcelo estava realmente espantado. &#8211; Ainda bem que voc&#234; est&#225; bem.

- H&#225;. Quanta preocupa&#231;&#227;o... Por acaso est&#225; gamado em mim? &#8211; Carlos falava brincadeiras mas com uma cara muito estranha. Que de repente se tornou algo raivoso e confuso &#8211; Por que voc&#234; me salvou &#224;quela hora hein?

- Eu fiz o que achava certo. &#8211; Marcelo replicou sobriamente.

- Certo? Voc&#234; quer se matar? Por um in&#250;til como eu?

- N&#227;o quero me matar, quero que ningu&#233;m morra. Se eu puder evitar, eu evito. &#8211; Marcelo estava falando aquilo e pensando em como aquelas frases eram bonitas. Achou at&#233; que tinha visto em alguma hist&#243;ria de cavaleiros nobres.

- Voc&#234; &#233; maluco. Em que mundo voc&#234; vive hein? &#8211; Carlos saiu andando. Marcelo ficou confuso no come&#231;o, mas logo resolveu emendar:

- Ei, n&#227;o quer fazer parceria comigo? Voc&#234; tem uma voz boa! &#8211; Berrou.

N&#227;o vale a pena falar aqui qual foi a resposta de Carlos. N&#227;o seria de bom tom. Tudo que pode ser dito &#233; que algum gesto ele fez, e n&#227;o foi bonito.

- Ol&#225;! &#8211; Outra voz. S&#243; que essa ele conhecia muito bem.

- J&#250;li... &#8211; Virou mas n&#227;o viu ningu&#233;m. O que sentiu foi um peso enorme em suas costas.

- H&#225;! Te peguei! &#8211; Julia abra&#231;ava Marcelo enquanto dava muitas risadas da rea&#231;&#227;o do namorado. Ele tinha at&#233; soltado um pequeno berro mais agudo. &#8211; Que medo hein?

- Voc&#234; me pegou mesmo... Sua... Sua... &#8211; Sua boca agora estava impossibilitada de dizer qualquer palavra. N&#227;o havia raio que partisse aquele momento.

- E a&#237;, trouxe seu livro? &#8211; Marcelo perguntou ansioso.

- Como prometido! Aqui est&#225; ele. &#8211; Puxou uma pasta com um monte de folhas juntas e entregou a Marcelo.
- Quantas p&#225;ginas! Tem quantas aqui? &#8211; Marcelo dava uma r&#225;pida folheada no bolo.

- Umas 150. N&#227;o &#233; tanto assim! &#8211; J&#250;lia dava uma risada.

- Deixa eu ver o t&#237;tulo... N&#227;o tem ainda?

- N&#227;o. Estou pensando num. Se tiver alguma id&#233;ia me avise!

- Pode deixar. Vou ler com carinho. &#8211; Marcelo piscou e depois a noite se prolongou naquele banco de praia.

---

Marcelo se sentia animado. Sempre era bom sair com J&#250;lia. Seus olhos, seus l&#225;bios e principalmente sua habilidade de tornar dia &#224; noite, sem que voc&#234; percebesse, apenas conversando. Trocou de roupa e deitou na cama. Ia ler o livro de J&#250;lia amanh&#227;. J&#225; eram 3 da manh&#227;. Estava morto de sono. Quando tentou dormir, n&#227;o conseguiu. Era mais uma vez a s&#237;ndrome de J&#250;lia, como gostava de chamar. Resolveu ent&#227;o ler um pouco do livro:

&#8220; Ent&#227;o eu me matei. N&#227;o foi r&#225;pido, n&#227;o foi lento, foi um momento a parte. Meus olhos caiam junto com o meu corpo. O som oco de minha cabe&#231;a batendo no palco foi ouvido. Uma ironia. Afinal, sempre me orgulhei de minha banda fazer o maior barulho da cidade.

Como isso aconteceu?  N&#227;o sei dizer como. N&#227;o havia um grande motivo especifico. Algum sentimento invadiu meu cora&#231;&#227;o naquele momento e eu n&#227;o sei qual era. Talvez agora que sou um anjo e escrevo minhas mem&#243;rias com penas celestiais eu veja o porqu&#234; de minha morte.&#8221;

Marcelo n&#227;o conseguia parar. O texto era realmente legal. E ainda por cima era escrito por algu&#233;m que ele tanto amava. N&#227;o tinha como ele parar. Terminou-o perto das cinco da manh&#227;. Estava agora pensando no texto, pensando em J&#250;lia... Agora que ele n&#227;o iria conseguir dormir mesmo.

- Pra que fui ler o livro, n&#233;? &#8211; Comentou consigo mesmo. Resolveu ent&#227;o ligar o som e ouvir algo que combinasse com o fim do livro:

&#8220;
What have I become?
my sweetest friend
everyone I know
goes away in the end
and you could call have it all
my empire of dirt
I will let you down
I will make you hurt
if I could start again
a million miles away
I would keep myself
I would find a way&#8221;

No momento em que as guitarras subiram uma pedra enorme entrou pela janela do quarto. Ela era enorme e fez um enorme barulho. Logo em seguida o que tinha era sil&#234;ncio. O &#250;nico som que emanava era o vento. E o vento vinha do final da m&#250;sica.

- O que foi isso? &#8211; Marcelo voltou ao normal quando a m&#250;sica acabou. Ele agora ia direto para a janela ver o que tinha acontecido. &#8211;  Quem... &#8211; Outra pedra vinha em sua dire&#231;&#227;o, do mesmo tamanho da outra, ele desabou no ch&#227;o como um ping&#252;im cai de uma geladeira. A pedra passou perto de sua cabe&#231;a. Ainda bem que aprendera a ter reflexos r&#225;pidos.

- Me desculpa! N&#227;o jogarei mais pedras, venha r&#225;pido pra janela! &#8211; Uma voz desesperada chamava-o pela janela. Marcelo olhou e viu uma menina de cabelos vermelhos, muito bonitos. Usando uma camisa preta e uma cal&#231;a jeans. Ela estava realmente assustada. &#8211; Se voc&#234; realmente gosta da J&#250;lia des&#231;a logo. Aconteceu algo muito ruim.

Marcelo desceu correndo colocando a mesma roupa da noite anterior por estar mais perto e logo estava na casa de J&#250;lia, ao lado de M&#244;nica, assustado.

- O que houve J&#250;lia? &#8211; Marcelo passava a m&#227;o na testa de sua amada.

- Nada... S&#243; uma reca&#237;da. &#201; normal isso acontecer comigo.

- Isso o que? O que voc&#234; tem?

- Nada Marcelo. Saia daqui. Eu vou ficar bem.

- Vai nada, voc&#234; est&#225; suando muito!

- Sai daqui Marcelo! &#8211; Julia berrou estridentemente. Depois se acalmou, beijou-o nos l&#225;bios e disse: - &#201; coisa de mulher.

Marcelo n&#227;o engoliu muito aquela resposta e disse que ficaria na frente da casa dela esperando e se ouvisse algo iria voltar.

- Porque chamou ele M&#244;nica?

- Achei que voc&#234; iria gostar. Vamos ver isso... Meu Deus... &#8211; As costas de J&#250;lia estavam queimando em duas curvas. &#8211; O que &#233; isso menina?

- N&#227;o sei. Nunca soube. Nenhum m&#233;dico sabe o que pode ser.

- Que ruim...

Na verdade Nat&#225;lia sabia do que se tratava. E estava sentindo a dor de Julia dentro dela.</description>
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      <pubDate>Sat, 01 Jul 2006 04:56:02 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-08</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2006-07-01</dcterms:created>
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      <itunes:summary>Chegava &#224; hora. Finalmente Marcelo iria ver sua amada. Chegou mais cedo, eram sete horas ainda. Tinha levado o viol&#227;o para tocar para sua amada. Treinava algumas m&#250;sicas enquanto ela n&#227;o chegava:

&#8220;I paint a picture of the days gone by,
When love went blind and you would make me see.
I'd stare a lifetime into your eyes.
So that I knew you were there for me,
Time after time, you were there for me.&#8221;

- Como canta mal hein? &#8211; Algu&#233;m estava falando com ele. N&#227;o era uma voz muito familiar, mas j&#225; a tinha ouvido antes. Resolveu virar para ver quem era e se surpreendeu.

- Voc&#234;? &#8211; Marcelo estava realmente espantado. &#8211; Ainda bem que voc&#234; est&#225; bem.

- H&#225;. Quanta preocupa&#231;&#227;o... Por acaso est&#225; gamado em mim? &#8211; Carlos falava brincadeiras mas com uma cara muito estranha. Que de repente se tornou algo raivoso e confuso &#8211; Por que voc&#234; me salvou &#224;quela hora hein?

- Eu fiz o que achava certo. &#8211; Marcelo replicou sobriamente.

- Certo? Voc&#234; quer se matar? Por um in&#250;til como eu?

- N&#227;o quero me matar, quero que ningu&#233;m morra. Se eu puder evitar, eu evito. &#8211; Marcelo estava falando aquilo e pensando em como aquelas frases eram bonitas. Achou at&#233; que tinha visto em alguma hist&#243;ria de cavaleiros nobres.

- Voc&#234; &#233; maluco. Em que mundo voc&#234; vive hein? &#8211; Carlos saiu andando. Marcelo ficou confuso no come&#231;o, mas logo resolveu emendar:

- Ei, n&#227;o quer fazer parceria comigo? Voc&#234; tem uma voz boa! &#8211; Berrou.

N&#227;o vale a pena falar aqui qual foi a resposta de Carlos. N&#227;o seria de bom tom. Tudo que pode ser dito &#233; que algum gesto ele fez, e n&#227;o foi bonito.

- Ol&#225;! &#8211; Outra voz. S&#243; que essa ele conhecia muito bem.

- J&#250;li... &#8211; Virou mas n&#227;o viu ningu&#233;m. O que sentiu foi um peso enorme em suas costas.

- H&#225;! Te peguei! &#8211; Julia abra&#231;ava Marcelo enquanto dava muitas risadas da rea&#231;&#227;o do namorado. Ele tinha at&#233; soltado um pequeno berro mais agudo. &#8211; Que medo hein?

- Voc&#234; me pegou mesmo... Sua... Sua... &#8211; Sua boca agora estava impossibilitada de dizer qualquer palavra. N&#227;o havia raio que partisse aquele momento.

- E a&#237;, trouxe seu livro? &#8211; Marcelo perguntou ansioso.

- Como prometido! Aqui est&#225; ele. &#8211; Puxou uma pasta com um monte de folhas juntas e entregou a Marcelo.
- Quantas p&#225;ginas! Tem quantas aqui? &#8211; Marcelo dava uma r&#225;pida folheada no bolo.

- Umas 150. N&#227;o &#233; tanto assim! &#8211; J&#250;lia dava uma risada.

- Deixa eu ver o t&#237;tulo... N&#227;o tem ainda?

- N&#227;o. Estou pensando num. Se tiver alguma id&#233;ia me avise!

- Pode deixar. Vou ler com carinho. &#8211; Marcelo piscou e depois a noite se prolongou naquele banco de praia.

---

Marcelo se sentia animado. Sempre era bom sair com J&#250;lia. Seus olhos, seus l&#225;bios e principalmente sua habilidade de tornar dia &#224; noite, sem que voc&#234; percebesse, apenas conversando. Trocou de roupa e deitou na cama. Ia ler o livro de J&#250;lia amanh&#227;. J&#225; eram 3 da manh&#227;. Estava morto de sono. Quando tentou dormir, n&#227;o conseguiu. Era mais uma vez a s&#237;ndrome de J&#250;lia, como gostava de chamar. Resolveu ent&#227;o ler um pouco do livro:

&#8220; Ent&#227;o eu me matei. N&#227;o foi r&#225;pido, n&#227;o foi lento, foi um momento a parte. Meus olhos caiam junto com o meu corpo. O som oco de minha cabe&#231;a batendo no palco foi ouvido. Uma ironia. Afinal, sempre me orgulhei de minha banda fazer o maior barulho da cidade.

Como isso aconteceu?  N&#227;o sei dizer como. N&#227;o havia um grande motivo especifico. Algum sentimento invadiu meu cora&#231;&#227;o naquele momento e eu n&#227;o sei qual era. Talvez agora que sou um anjo e escrevo minhas mem&#243;rias com penas celestiais eu veja o porqu&#234; de minha morte.&#8221;

Marcelo n&#227;o conseguia parar. O texto era realmente legal. E ainda por cima era escrito por algu&#233;m que ele tanto amava. N&#227;o tinha como ele parar. Terminou-o perto das cinco da manh&#227;. Estava agora pensando no texto, pensando em J&#250;lia... Agora que ele n&#227;o iria conseguir dormir mesmo.

- Pra que fui ler o livro, n&#233;? &#8211; Comentou consigo mesmo. Resolveu ent&#227;o ligar o som e ouvir algo que combinasse com o fim do livro:

&#8220;
What have I become?
my sweetest friend
ev</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>Antes que Seja tarde Cap 7</title>
      <description>&lt;img src="http://walbher.podOmatic.com/mymedia/thumb/21410/0x0_641381.jpg" alt="itunes pic" /&gt;&lt;br /&gt;&#8220;Is this the real life?
Is this just fantasy?
Caught in a landslide
No escape from reality
Open your eyes
Look up to the skies and see&#8221;

Marcelo, que acabara de sair do hospital, estava deitado na sua cama, relaxando um pouco depois de ag&#252;entar uma noite naquela desconfort&#225;vel cama da Santa Casa. Estava na verdade jogando um pouco de videogame, al&#233;m de ouvir m&#250;sica. Fazia tempo que n&#227;o parava para essas coisas. Sua vida estava realmente muito agitada ultimamente.

De repente algu&#233;m adentrou pela porta de seu quarto: Era Andr&#233;. E trazia flores.

- Como vai meu amado pr&#237;ncipe? &#8211; Chegou j&#225; apontando as rosas para seu amigo.

- Seu amado pr&#237;ncipe vai bem. S&#243; com essa faixa de carat&#234; na cabe&#231;a por precau&#231;&#227;o. &#8211; Olhou para as flores &#8211; &#211;, essas rosas s&#227;o para mim, minha princesa?

- Princesa? &#8211;Andr&#233; jogou as flores na cara de Marcelo bruscamente. &#8211; Princesa &#233; a sua av&#243;!

- Ai, que viol&#234;ncia... &#8211; Marcelo fazia uma voz fanha e biquinho ao mesmo tempo.

- Essa princesa aqui tem m&#250;sculos. &#8211; Andr&#233; resolveu mostra-los a Marcelo. Mas logo voltou ao normal achando aquela cena muito boiolenta, se &#233; que essa express&#227;o realmente existia. &#8211; Mas falando em princesa... Soube que uma menina te levou para o hospital. Era bonita hein? &#8211; Cutucou o amigo com os cotovelos.

- Era a J&#250;lia.

- Ahhh... Ent&#227;o era muito bonita. &#8211; Tossiu &#8211; E ela cuidou direitinho de voc&#234; no hospital? &#8211; Tossiu de novo.

- Claro que cuidou. Mas n&#227;o dessa maneira que voc&#234; fica imaginando. &#8211;Marcelo olhava com uma cara feia. Daquelas que s&#243; um amigo faz para o outro.

- Ai ai... Esses dois pombinhos s&#227;o t&#227;o inocentes... D&#225; at&#233; pena de ver. &#8211; Sentou na cama de Marcelo e fez um cafun&#233; pentelho no amigo.

- Voc&#234; que s&#243; pensa merda. Fica vendo filme porn&#244; de banca... S&#243; pode dar nisso. &#8211; Tirou a m&#227;o do amigo da sua cabe&#231;a com um movimento brusco.

- Eu nada. Voc&#234;s que s&#227;o dois santinhos... Ali&#225;s, esse foi um dos motivos pelo qual larguei a J&#250;lia. Eita menina sem fogo.

- Percebe que est&#225; falando mal de minha amada? &#8211; Marcelo levantou uma das sobrancelhas.

- Ahh... Mas estou vendo que voc&#234;s foram feitos um para o outro. &#8211; Come&#231;ou a rir &#8211; V&#227;o morar num castelo, cheio de arvores em volta, com um bosque lindo e coelhinhos pulando. &#8211; Andr&#233; estava quase caindo da cama. Marcelo ajudou e lhe deu um empurr&#227;ozinho.

- Mas &#233; bob&#227;o mesmo... &#8211; Marcelo olhava seu amigo com cara de reprova&#231;&#227;o.

- E voc&#234; n&#227;o sabe brincar tamb&#233;m... &#8211; Andr&#233; tentava se recuperar. &#8211; Mas bem, chegou minha hora. Devo partir &#243; senhor pr&#237;ncipe dos cora&#231;&#245;es de mel! &#8211; Deu uma gargalhada e saiu correndo. Um travesseiro chegou perto de atingi-lo, mas ficou na porta.

Marcelo resolveu ver as rosas. Havia um bilhete dentro. Resolveu ler:

&#8220; V&#234; se melhora moleque. N&#227;o quero ver voc&#234; morrer t&#227;o cedo. E n&#227;o liga para as minha brincadeiras n&#227;o. J&#250;lia &#233; uma pessoa muito legal e estou torcendo por voc&#234;s&#8221;

Marcelo sorriu, guardou as rosas num vaso com &#225;gua e voltou a jogar seu videogame enquanto esperava a hora de ver sua princesa.

---

J&#250;lia estava sentada num muro. Sempre sentava ali nos intervalos. Era um muro alto e de l&#225; ela observava toda a movimenta&#231;&#227;o dos colegas. Sempre via as tr&#234;s loiras f&#250;teis fazendo poses enquanto falavam sobre alguma coisa in&#250;til e sem valor. Mais a esquerda ficavam as tr&#234;s patys g&#243;ticas que ficavam sempre grudadas umas as outras olhando e falando mal das tr&#234;s garotas citadas anteriormente. Mais para esquerda ainda ela podia ver um grande grupo, s&#243; de meninos, riam escandalosamente. Apontavam para as tr&#234;s meninas de preto ali perto e para um outro grupo de meninos ali no canto que usavam &#243;culos e faziam caras arrogantes ao olhar para os outros. Gostava tamb&#233;m de observar uma menina solit&#225;ria que ficava ali na...

- U&#233;...? &#8211; A menina n&#227;o estava ali dessa vez. E ela j&#225; tinha visto ela naquele dia. &#8211; Ser&#225; que...

- Procurando algu&#233;m? &#8211; J&#250;lia quase caiu do muro. Era a menina que dava um t&#237;mido sorriso para frente, olhando o nada.

- Nossa, que susto, garota! &#8211; Julia estava com uma risada engasgada.

- Desculpa, mas voc&#234; tava a&#237; t&#227;o distra&#237;da como sempre... N&#227;o pude ser mais delicada. &#8211; Virou para J&#250;lia com o mesmo sorriso de antes. &#8211; Meu nome &#233; M&#244;nica. E o seu? &#8211; Esticou a m&#227;o.

- J&#250;lia. &#8211; Apertou a m&#227;o da menina. Estava sorrindo da situa&#231;&#227;o que acabara de passar. &#8211; Voc&#234; quase me mata. &#8211; Deu uma risadinha.

- &#201; um dom que eu tenho. Mas n&#227;o importa agora. &#8211; Mudou a voz. &#8211; Vejo que voc&#234; est&#225; sempre olhando as pessoas daqui... Nunca fala com ningu&#233;m... Eu fico pensando nos seus motivos...

- Ah, voc&#234; n&#227;o gostaria de saber. &#8211; J&#250;lia abaixou a cabe&#231;a.

- Por qu&#234;? &#201; algo muito triste? Alguma decep&#231;&#227;o?

- Raiva.

- Bom motivo. Eu te entendo perfeitamente. &#8211; Segurou a m&#227;o de J&#250;lia, que estranhou o ato. &#8211; Mas a vida continua n&#233;? N&#227;o h&#225; como fugir...

J&#250;lia sentiu uma sensa&#231;&#227;o estranha pelo seu corpo. Era como se a tristeza daquela garota, apesar de n&#227;o estar aparente, entrasse no seu corpo pela sua m&#227;o.

- S- Se voc&#234; diz... &#8211; J&#250;lia disfar&#231;adamente tirou a m&#227;o dali e passou no seu cabelo.

- Eu acho que o &#250;nico jeito de se melhorar algo aqui nesse planetinha &#233; levantando e fazendo algo de &#250;til. N&#227;o adianta ficar parado olhando as coisas erradas. &#8211; Olhou fixamente para J&#250;lia. &#8211; N&#227;o sei quanto a voc&#234;, mas eu sinto pena dessas pessoas. Que vida med&#237;ocre... Mas tamb&#233;m n&#227;o posso falar nada. Nem sei por que falo e penso essas coisas. Sou igual a todos... &#8211; Sua cara voltou a ser triste como normalmente era.

- Mas voc&#234; percebe as coisas ao seu redor. Isso j&#225; &#233; uma grande vantagem sobre os demais. &#8211; J&#250;lia tentou animar a garota. Mas ela n&#227;o mudou nada. &#8211; Tente ser menos pessimista. Apesar de ser dif&#237;cil...

- &#201; foda, n&#233;? &#8211; A garota virou rindo e chorando ao mesmo tempo. &#8211; Somos todos uns fracos hip&#243;critas. A gente fala da solu&#231;&#227;o, mas temos o mesmo problema. &#8211; A menina pulou do muro caindo perfeitamente no ch&#227;o e saiu andando, lentamente, ainda enxugando as l&#225;grimas, em dire&#231;&#227;o ao banheiro.

- Garota diferente essa... &#8211; J&#250;lia falou sozinha. Tinha sido uma experi&#234;ncia muito estranha. Havia presenciado v&#225;rias sensa&#231;&#245;es diferentes emanando da garota. Ela realmente era diferente de qualquer coisa que havia conhecido na Terra.

&#8220;Vamos falar de pesticida
E de trag&#233;dias radioativas
De doen&#231;as incur&#225;veis
Vamos falar de sua vida
Preste aten&#231;&#227;o ao que eles dizem
Ter esperan&#231;a &#233; hipocrisia
A felicidade &#233; uma mentira
E a mentira &#233; salva&#231;&#227;o&#8221;

---

Eram tr&#234;s da tarde. Carlos estava andando pela rua. Ainda mancava muito. N&#227;o tinha entendido muito bem os motivos pelo qual o menino tinha salvado ele daquele traficante, estava confuso. Resolveu esquecer o assunto, olhou para frente e viu algu&#233;m que conhecia muito bem:

- Nat&#225;lia! &#8211; Abriu os bra&#231;os para dar um abra&#231;o na garota. Mas ela esticou a m&#227;o e o empurrou para tr&#225;s.

- Voc&#234; est&#225; um nojo, hein? &#8211; Olhava incr&#233;dula para o garoto usando roupas rasgadas, velhas e sujas.

- &#201;... Meu castigo &#233; esse. Tenho que me acostumar com isso. N&#227;o estou ag&#252;entando mais essa vida de pobre. N&#227;o sei porque mas fico fumando esses neg&#243;cios... Parecem me fazer t&#227;o bem.

- Quem te v&#234; n&#227;o acha que voc&#234; descobriu a verdade faz pouco tempo... Est&#225; falando como um entendido no assunto. &#8211; M&#244;nica olhava feio para ele.

- &#201; como se minha cabe&#231;a fosse aberta. Eu quase posso ver o meu passado. &#8211; Disse dando um sorriso leve.
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      <comments>http://walbher.podOmatic.com/entry/2006-06-17T20_28_19-07_00</comments>
      <pubDate>Sun, 18 Jun 2006 03:28:19 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-08</dcterms:modified>
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      <dc:creator>walbher</dc:creator>
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      <itunes:summary>&#8220;Is this the real life?
Is this just fantasy?
Caught in a landslide
No escape from reality
Open your eyes
Look up to the skies and see&#8221;

Marcelo, que acabara de sair do hospital, estava deitado na sua cama, relaxando um pouco depois de ag&#252;entar uma noite naquela desconfort&#225;vel cama da Santa Casa. Estava na verdade jogando um pouco de videogame, al&#233;m de ouvir m&#250;sica. Fazia tempo que n&#227;o parava para essas coisas. Sua vida estava realmente muito agitada ultimamente.

De repente algu&#233;m adentrou pela porta de seu quarto: Era Andr&#233;. E trazia flores.

- Como vai meu amado pr&#237;ncipe? &#8211; Chegou j&#225; apontando as rosas para seu amigo.

- Seu amado pr&#237;ncipe vai bem. S&#243; com essa faixa de carat&#234; na cabe&#231;a por precau&#231;&#227;o. &#8211; Olhou para as flores &#8211; &#211;, essas rosas s&#227;o para mim, minha princesa?

- Princesa? &#8211;Andr&#233; jogou as flores na cara de Marcelo bruscamente. &#8211; Princesa &#233; a sua av&#243;!

- Ai, que viol&#234;ncia... &#8211; Marcelo fazia uma voz fanha e biquinho ao mesmo tempo.

- Essa princesa aqui tem m&#250;sculos. &#8211; Andr&#233; resolveu mostra-los a Marcelo. Mas logo voltou ao normal achando aquela cena muito boiolenta, se &#233; que essa express&#227;o realmente existia. &#8211; Mas falando em princesa... Soube que uma menina te levou para o hospital. Era bonita hein? &#8211; Cutucou o amigo com os cotovelos.

- Era a J&#250;lia.

- Ahhh... Ent&#227;o era muito bonita. &#8211; Tossiu &#8211; E ela cuidou direitinho de voc&#234; no hospital? &#8211; Tossiu de novo.

- Claro que cuidou. Mas n&#227;o dessa maneira que voc&#234; fica imaginando. &#8211;Marcelo olhava com uma cara feia. Daquelas que s&#243; um amigo faz para o outro.

- Ai ai... Esses dois pombinhos s&#227;o t&#227;o inocentes... D&#225; at&#233; pena de ver. &#8211; Sentou na cama de Marcelo e fez um cafun&#233; pentelho no amigo.

- Voc&#234; que s&#243; pensa merda. Fica vendo filme porn&#244; de banca... S&#243; pode dar nisso. &#8211; Tirou a m&#227;o do amigo da sua cabe&#231;a com um movimento brusco.

- Eu nada. Voc&#234;s que s&#227;o dois santinhos... Ali&#225;s, esse foi um dos motivos pelo qual larguei a J&#250;lia. Eita menina sem fogo.

- Percebe que est&#225; falando mal de minha amada? &#8211; Marcelo levantou uma das sobrancelhas.

- Ahh... Mas estou vendo que voc&#234;s foram feitos um para o outro. &#8211; Come&#231;ou a rir &#8211; V&#227;o morar num castelo, cheio de arvores em volta, com um bosque lindo e coelhinhos pulando. &#8211; Andr&#233; estava quase caindo da cama. Marcelo ajudou e lhe deu um empurr&#227;ozinho.

- Mas &#233; bob&#227;o mesmo... &#8211; Marcelo olhava seu amigo com cara de reprova&#231;&#227;o.

- E voc&#234; n&#227;o sabe brincar tamb&#233;m... &#8211; Andr&#233; tentava se recuperar. &#8211; Mas bem, chegou minha hora. Devo partir &#243; senhor pr&#237;ncipe dos cora&#231;&#245;es de mel! &#8211; Deu uma gargalhada e saiu correndo. Um travesseiro chegou perto de atingi-lo, mas ficou na porta.

Marcelo resolveu ver as rosas. Havia um bilhete dentro. Resolveu ler:

&#8220; V&#234; se melhora moleque. N&#227;o quero ver voc&#234; morrer t&#227;o cedo. E n&#227;o liga para as minha brincadeiras n&#227;o. J&#250;lia &#233; uma pessoa muito legal e estou torcendo por voc&#234;s&#8221;

Marcelo sorriu, guardou as rosas num vaso com &#225;gua e voltou a jogar seu videogame enquanto esperava a hora de ver sua princesa.

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J&#250;lia estava sentada num muro. Sempre sentava ali nos intervalos. Era um muro alto e de l&#225; ela observava toda a movimenta&#231;&#227;o dos colegas. Sempre via as tr&#234;s loiras f&#250;teis fazendo poses enquanto falavam sobre alguma coisa in&#250;til e sem valor. Mais a esquerda ficavam as tr&#234;s patys g&#243;ticas que ficavam sempre grudadas umas as outras olhando e falando mal das tr&#234;s garotas citadas anteriormente. Mais para esquerda ainda ela podia ver um grande grupo, s&#243; de meninos, riam escandalosamente. Apontavam para as tr&#234;s meninas de preto ali perto e para um outro grupo de meninos ali no canto que usavam &#243;culos e faziam caras arrogantes ao olhar para os outros. Gostava tamb&#233;m de observar uma menina solit&#225;ria que ficava ali na...

- U&#233;...? &#8211; A menina n&#227;o estava ali dessa vez. E ela j&#225; tinha visto ela naquele dia. &#8211; Ser&#225; que...

- Procurando algu&#233;m? &#8211; J&#250;lia quase caiu do muro. Era a menina que dava um t&#237;mido sorriso para frente, olhando o nada.

- Nossa, que susto, garot</itunes:summary>
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      <title>Antes que Seja Tarde Cap 6</title>
      <description>&lt;img src="http://walbher.podOmatic.com/mymedia/thumb/21410/0x0_641382.jpg" alt="itunes pic" /&gt;&lt;br /&gt;*Recando pertinente: Todo epis&#243;dio tem uma das m&#250;sicas citadas para download ou audi&#231;&#227;o. Para ouvir clique no bot&#227;o PLAY e para baixar clique na op&#231;&#227;o DOWNLOAD, que fica do lado.*

---

&#8220;She&#8217;s in My Head
Like Television&#8221;

Desligou o som, estava ouvindo m&#250;sica desde que chegara da aula, virou para o lado na cama e come&#231;ou a tentar dormir: N&#227;o conseguiu. Havia muitos pensamentos na sua cabe&#231;a. N&#227;o entendia o que sentia: Seu cora&#231;&#227;o estava apertado, ele estava encolhido no cobertor, n&#227;o conseguia nem fechar os olhos. O que ele tinha vivenciado logo de manh&#227; o tinha preocupado. Mas n&#227;o adiantava ficar ali sem dormir. Aquilo s&#243; iria atrapalhar o seu dia seguinte. Fechou os olhos e tentou for&#231;ar dormir: N&#227;o conseguiu de novo. Resolveu ler um bom livro at&#233; pegar no sono: 

- H&#225;! Iracema! &#201; agora que eu durmo!

Leu o livro todo. Era um milagre. Ele estava chocado. Chocado e com sono. Mas n&#227;o conseguia dormir. Decidiu ent&#227;o sair e ficar numa pra&#231;a ali perto olhando pro nada no sil&#234;ncio da noite.

Marcelo via essas coisas em filmes, ouvia em m&#250;sicas e achava bonito. E realmente isso o relaxava: Olhar para a rua vazia de um banco de pra&#231;a. Ficou l&#225; olhando o nada at&#233; que ouviu um estalo alto: Era um tiro. Logo ficou com medo e se abaixou numa moita que estava ali. Viu um menino passando em disparada por ele: Era o menino que vira logo de manh&#227; tocando viol&#227;o. E atr&#225;s dele um outro homem com uma arma na m&#227;o. Estavam indo na dire&#231;&#227;o de Marcelo. Ele que, como dissemos, via filmes demais teve logo a id&#233;ia de ajudar o garoto, mas pensou melhor e decidiu que n&#227;o. A correria continuava e acabou vendo outro tiro. Este pegou o garoto na perna. Ele iria cair. Marcelo ent&#227;o correu em dire&#231;&#227;o ao homem com arma que estava muito distra&#237;do tentando finalmente alcan&#231;ar o garoto e decidiu empurrar ele para o canal que estava do lado dele. S&#243; que ao se preparar para pular o homem percebeu sua presen&#231;a e virou a arma para a dire&#231;&#227;o dele. Marcelo n&#227;o sabia mais o que estava acontecendo, ele havia perdido o foco dos seus olhos, sentiu uma dor forte na cabe&#231;a e logo depois um estalo muito mais alto do que os outros.

--

J&#250;lia andava pelas ruas da cidade indo em dire&#231;&#227;o &#224; sua casa. Havia passado o dia todo sentada num banco de pra&#231;a olhando as pessoas passando. Ela tinha essa mania de olhar as pessoas e imaginar que vida med&#237;ocre cada uma vivia. Pensava muito mal do mundo. Achava que aquilo n&#227;o iria pra frente nunca. Havia perdido as esperan&#231;as na humanidade. V&#225;rias amigas, amigos, antigos namorados e pais falavam para ela tentar aproveitar melhor a vida em vez de ficar dizendo que o mundo estava perdido.

Foi ent&#227;o que andando viu uma cena que a fez ficar ainda mais descrente na humanidade: Um garoto estava cheirando alguma droga sentado no canal. Teve uma vontade imensa de lhe dar uma bronca. Mas como de costume ficou quieta e com aquele sentimento de tristeza profunda misturada com pena que sentimos, de verdade, poucas vezes na vida. Encostou-se &#224; parede e ficou disfar&#231;adamente olhando a cena e criticando o mundo na cabe&#231;a. Foi ent&#227;o que viu um homem chegar do lado do menino o amea&#231;ando:

- Cad&#234; minha grana? &#8211; Disse o homem.

- Q-Que grana cara? Eu n&#227;o te paguei? &#8211; Respondeu o garoto.

- Essa &#250;ltima n&#227;o!

Mal acabou de terminar de falar o homem sentiu uma dor terr&#237;vel. O menino havia lhe dado um soco nas partes baixar e tinha sa&#237;do correndo. O homem ainda tentando se recuperar puxou uma arma da jaqueta e come&#231;ou a cambalear atr&#225;s do garoto.

J&#250;lia vendo a cena foi atr&#225;s dos dois. N&#227;o sabia se era por vontade de ajudar ou por curiosidade. Essa ultima hip&#243;tese a fez se menosprezar profundamente. Essa era um dos sentimentos que ela mais tinha nojo. Buscava controla-lo ao m&#225;ximo poss&#237;vel.

Continuou correndo e ouviu o primeiro tiro. Correu mais r&#225;pido, mesmo assustada. E viu de perto o segundo tiro. Viu o menino caindo e viu algu&#233;m muito conhecido dela correr em dire&#231;&#227;o ao traficante: Era Marcelo. De repente deu um berro t&#227;o grande de medo que fez com que o traficante percebesse a aproxima&#231;&#227;o de Marcelo e virassem em dire&#231;&#227;o a ele e esquecer o garoto. O mesmo garoto que puxou uma perna do homem fazendo ele cair no canal com a arma a disparar para o alto. Marcelo bateu a cabe&#231;a no cimento e por l&#225; ficou, inconsciente. O menino ficou parado no ch&#227;o. Estava desesperado. Julia finalmente chegou perto deles:

- Marcelo?! Marcelo? &#8211; N&#227;o havia resposta de nosso protagonista.

- E-Ele tentou me salvar? &#8211; O garoto olhava e reconhecia aquele rosto. Era o mesmo de manh&#227;. Arrependera-se totalmente do que tinha dito.

- Ei voc&#234;! Olha o que esse seu v&#237;cio provocou! O que voc&#234; tem na cabe&#231;a? &#8211; Julia estava em l&#225;grimas, com a m&#227;o cheia de sangue olhando para o menino.

Tonto, drogado, nervoso, chocado, arrependido e com um tiro na coxa o menino saiu mancando pra se esconder em algum lugar. Estava realmente perturbado.

Julia deixou-o ir porque estava muito preocupada com Marcelo. Tinha que leva-lo para um hospital. Mas ali no canal 1 onde se encontravam, perto da praia, era relativamente perto e longe da Santa Casa local. Precisava de uma carona. Como era de madrugada e nenhum carro estava passando por ali, revistou Marcelo e com o celular dele ligou para o hospital.

--

&#8220; But I hear voices
And I see colors
But I wish I felt nothing
Then it might be easy for me
Like it is for you &#8221;

Marcelo acordou. N&#227;o fazia id&#233;ia de que horas eram. Tentou procurar um rel&#243;gio do lado dele: N&#227;o encontrou. Mas encontrou outra coisa. Julia estava do lado dele. Estava dormindo na cadeira. Marcelo logo a comparou com um anjo. N&#227;o costumava fazer essas compara&#231;&#245;es melosas que tanto repudiava em filmes. Mas foi inevit&#225;vel. S&#243; n&#227;o sabia o porqu&#234;.

- Psiu! Julia... Psiu... &#8211; Chamava.

Julia, depois de alguns &#8220;psius&#8221;, acordou. E ao ver Marcelo s&#227;o e salvo deu um grande sorriso de admira&#231;&#227;o.

- Ent&#227;o meu her&#243;i acordou? &#8211; Disse prontamente.
- Quem acordou agora foi voc&#234;, minha bela. &#8211; Disse Marcelo dando uma risadinha. Mas logo resolveu entender a frase de Julia &#8211; Her&#243;i? Como assim? Eu s&#243; lembro de um berro alto, de uma arma na cara e de um barulho de tiro.

- Bem, o menino te ajudou. Mas se voc&#234; n&#227;o tivesse feito aquela loucura...

- E o menino est&#225; bem? &#8211; Marcelo parecia preocupado.

- Est&#225;. Estava mancando. Mas o seu caso era mais grave. &#8211; Explicou Julia &#8211; Bem, eu liguei para sua casa e deixei mensagem na secret&#225;ria eletr&#244;nica. N&#227;o deve demorar pra eles chegarem. Agora eu preciso ir para minha aula. J&#225; s&#227;o seis da manh&#227;!

- J&#225; vai? Ir&#225; me abandonar aqui, t&#227;o machucado? &#8211; Marcelo fazia manha t&#227;o bem que n&#227;o havia como segurar o riso diante de uma cena dessas. Julia tamb&#233;m n&#227;o conseguiu segurar.

- Muito engra&#231;ado, espertinho. &#8211; Julia foi at&#233; a cama onde estava Marcelo e lhe deu o melhor rem&#233;dio que podia querer: Um tenro beijo. &#8211; V&#234; se melhora logo hein? Vou estar no banco hoje como combinamos.

- Pode deixar que estarei l&#225; com certeza! &#8211; Marcelo mandou um beijo com a m&#227;o para Julia que sorriu e saiu do quarto.

N&#227;o muito mais tarde os pais de Marcelo apareceram preocupados com o filho naquele hospital.

- Meu filho, voc&#234; est&#225; bem? &#8211; Disse a m&#227;e desesperada.

- Estou sim m&#227;e. Bem melhor!

- O que diabos voc&#234; fez ontem pra acontecer isso contigo? Quer nos matar do cora&#231;&#227;o? &#8211; Disse o pai.

- Eu estava dando uma andada por a&#237; quando vi um garoto sendo perseguido. A&#237; eu fui ajudar...

- Podia ter morrido! Mas &#233; um inconseq&#252;ente mesmo!

- Deixa ele querido! N&#227;o v&#234; que ele ainda est&#225; mal?

- Ok. Depois nos falaremos melhor. Agora tenho que ir trabalhar. &#8211; O pai saiu do quarto.

- Voc&#234; n&#227;o sabe a cara que ele fez quando ouviu a mensagem na secret&#225;ria. Ficou desesperado. &#8211; Retomou a conversa a m&#227;e. &#8211; Falando na mensagem... Quem era aquela garota que ligou para gente? Queria lhe agradecer pelo que fez...

- Era um anjo m&#227;e! &#8211; brincou Marcelo.
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      <pubDate>Wed, 07 Jun 2006 14:28:33 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-10</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2006-06-07</dcterms:created>
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      <itunes:summary>*Recando pertinente: Todo epis&#243;dio tem uma das m&#250;sicas citadas para download ou audi&#231;&#227;o. Para ouvir clique no bot&#227;o PLAY e para baixar clique na op&#231;&#227;o DOWNLOAD, que fica do lado.*

---

&#8220;She&#8217;s in My Head
Like Television&#8221;

Desligou o som, estava ouvindo m&#250;sica desde que chegara da aula, virou para o lado na cama e come&#231;ou a tentar dormir: N&#227;o conseguiu. Havia muitos pensamentos na sua cabe&#231;a. N&#227;o entendia o que sentia: Seu cora&#231;&#227;o estava apertado, ele estava encolhido no cobertor, n&#227;o conseguia nem fechar os olhos. O que ele tinha vivenciado logo de manh&#227; o tinha preocupado. Mas n&#227;o adiantava ficar ali sem dormir. Aquilo s&#243; iria atrapalhar o seu dia seguinte. Fechou os olhos e tentou for&#231;ar dormir: N&#227;o conseguiu de novo. Resolveu ler um bom livro at&#233; pegar no sono: 

- H&#225;! Iracema! &#201; agora que eu durmo!

Leu o livro todo. Era um milagre. Ele estava chocado. Chocado e com sono. Mas n&#227;o conseguia dormir. Decidiu ent&#227;o sair e ficar numa pra&#231;a ali perto olhando pro nada no sil&#234;ncio da noite.

Marcelo via essas coisas em filmes, ouvia em m&#250;sicas e achava bonito. E realmente isso o relaxava: Olhar para a rua vazia de um banco de pra&#231;a. Ficou l&#225; olhando o nada at&#233; que ouviu um estalo alto: Era um tiro. Logo ficou com medo e se abaixou numa moita que estava ali. Viu um menino passando em disparada por ele: Era o menino que vira logo de manh&#227; tocando viol&#227;o. E atr&#225;s dele um outro homem com uma arma na m&#227;o. Estavam indo na dire&#231;&#227;o de Marcelo. Ele que, como dissemos, via filmes demais teve logo a id&#233;ia de ajudar o garoto, mas pensou melhor e decidiu que n&#227;o. A correria continuava e acabou vendo outro tiro. Este pegou o garoto na perna. Ele iria cair. Marcelo ent&#227;o correu em dire&#231;&#227;o ao homem com arma que estava muito distra&#237;do tentando finalmente alcan&#231;ar o garoto e decidiu empurrar ele para o canal que estava do lado dele. S&#243; que ao se preparar para pular o homem percebeu sua presen&#231;a e virou a arma para a dire&#231;&#227;o dele. Marcelo n&#227;o sabia mais o que estava acontecendo, ele havia perdido o foco dos seus olhos, sentiu uma dor forte na cabe&#231;a e logo depois um estalo muito mais alto do que os outros.

--

J&#250;lia andava pelas ruas da cidade indo em dire&#231;&#227;o &#224; sua casa. Havia passado o dia todo sentada num banco de pra&#231;a olhando as pessoas passando. Ela tinha essa mania de olhar as pessoas e imaginar que vida med&#237;ocre cada uma vivia. Pensava muito mal do mundo. Achava que aquilo n&#227;o iria pra frente nunca. Havia perdido as esperan&#231;as na humanidade. V&#225;rias amigas, amigos, antigos namorados e pais falavam para ela tentar aproveitar melhor a vida em vez de ficar dizendo que o mundo estava perdido.

Foi ent&#227;o que andando viu uma cena que a fez ficar ainda mais descrente na humanidade: Um garoto estava cheirando alguma droga sentado no canal. Teve uma vontade imensa de lhe dar uma bronca. Mas como de costume ficou quieta e com aquele sentimento de tristeza profunda misturada com pena que sentimos, de verdade, poucas vezes na vida. Encostou-se &#224; parede e ficou disfar&#231;adamente olhando a cena e criticando o mundo na cabe&#231;a. Foi ent&#227;o que viu um homem chegar do lado do menino o amea&#231;ando:

- Cad&#234; minha grana? &#8211; Disse o homem.

- Q-Que grana cara? Eu n&#227;o te paguei? &#8211; Respondeu o garoto.

- Essa &#250;ltima n&#227;o!

Mal acabou de terminar de falar o homem sentiu uma dor terr&#237;vel. O menino havia lhe dado um soco nas partes baixar e tinha sa&#237;do correndo. O homem ainda tentando se recuperar puxou uma arma da jaqueta e come&#231;ou a cambalear atr&#225;s do garoto.

J&#250;lia vendo a cena foi atr&#225;s dos dois. N&#227;o sabia se era por vontade de ajudar ou por curiosidade. Essa ultima hip&#243;tese a fez se menosprezar profundamente. Essa era um dos sentimentos que ela mais tinha nojo. Buscava controla-lo ao m&#225;ximo poss&#237;vel.

Continuou correndo e ouviu o primeiro tiro. Correu mais r&#225;pido, mesmo assustada. E viu de perto o segundo tiro. Viu o menino caindo e viu algu&#233;m muito conhecido dela correr em dire&#231;&#227;o ao traficante: Era Marcelo. De repente deu um berro t&#227;o gran</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>Antes que Seja Tarde Cap 5</title>
      <description>&lt;img src="http://walbher.podOmatic.com/mymedia/thumb/21410/0x0_641383.jpg" alt="itunes pic" /&gt;&lt;br /&gt;Marcelo acordou cedo. Eram quatro e meia da manh&#227;. O sol ainda n&#227;o tinha aparecido no c&#233;u sem imagens de Santos. Tentou dormir de novo, mas n&#227;o sentia sono nenhum. Resolveu ent&#227;o tomar um banho e caf&#233; enquanto pensava no que fazer. Cantarolava uma m&#250;sica logo de manh&#227;. A m&#250;sica veio a sua cabe&#231;a sem nem bater na porta:

&#8220;
I've nothing much to offer
There's nothing much to take
I'm an absolute beginner
And I'm absolutely sane

(...)

If our love song
Could fly over mountains
Could laugh at the ocean
Just like the films
There's no reason
To feel all the hard times
To lay down the hard lines
It's absolutely true
&#8221;

- Acordar com Absolute Beginners na cabe&#231;a... Deve ser um bom sinal - Disse pra si mesmo enquanto sentava pra tomar seu caf&#233; forte de todos os dias. O solo de um instrumento que ele pensava ser um sax continuava a tocar na sua cabe&#231;a.

Logo terminou o caf&#233;, se trocou, pegou seu MP3 Player e saiu de casa. N&#227;o iria precisar pegar o &#244;nibus para ir &#224; escola, ainda estava muito cedo. Resolveu caminhar pela praia enquanto ouvia algumas m&#250;sicas.

Ao sair deixou um bilhete para sua m&#227;e avisando do fato e pegou a mochila. Quando estava saindo de casa avistou uma pessoa na rua: Era um menino de aproximadamente 17 anos tocando um viol&#227;o e cantando com muita vontade:

&#8220;
She looks like the real thing
She tastes like the real thing
My fake plastic love

But I can't help the feeling 
I could blow through the ceiling
If I just turn and run 

And it wears me out, it wears me out
It wears me out, it wears me out 

And if I could be who you wanted
If I could be who you wanted 
All the time, all the time
&#8221;

- Que t&#225; olhando o playboyzinho? - Disse o garoto que tinha os cabelos encaracolados e negros, parecia n&#227;o tomar banho faz. alguns dias.

- Nada... - Marcelo voltou a andar normalmente - Voc&#234; toca bem garoto. E canta tamb&#233;m hehe.

- Cuida da tua vida &#244; man&#233;! - Berrou o menino.

- Cuidarei. - Marcelo saiu andando um pouco irritado com a hostilidade do menino. Foi andando at&#233; chegar &#224; praia, diminuiu o passo e foi apreciando a paisagem, enquanto ouvia uma de suas mp3's:

&#8220;
N&#227;o vou viver, como algu&#233;m que s&#243; espera um novo amor
H&#225; outras coisas no caminho aonde eu vou
As vezes ando s&#243;, trocando passos com a solid&#227;o
Momentos que s&#227;o meus e que n&#227;o abro m&#227;o
&#8221;

Estava tranq&#252;ilo olhando o mar quando passou pelo banco mais importante na praia, para ele. Olhou pro rel&#243;gio e viu que ainda tinha tempo, resolveu se sentar e pensar um pouco enquanto olhava para o mar. O dito cujo estava l&#225; como sempre, sujo, mas ainda belo de longe. Ficou pensando em Julia mais uma vez. Nenhum pensamento novo na mente... Sempre os mesmos. Ali&#225;s, percebera que Julia ocupava uma boa parte dos seus pensamentos durante seus dias. Achava que estava ficando louco.

- Julia, Julia, Julia. Sai daqui um pouco!

- Nossa! Voc&#234; &#233; bom em prever as coisas! Mas porque tanta hostilidade? - Disse uma voz atr&#225;s dele.

- Ju-Julia? - Parecia espantado ao v&#234;-la ali.

- Oi.

- Olha s&#243;, a gente combina sexta e quinta feira o destino nos une! - Tentava corrigir a m&#225; impress&#227;o que tinha deixado.

- &#201;... Bem, j&#225; estou indo. At&#233; amanh&#227; Marcelo. - Julia saiu andando sem mais nem menos.

Marcelo ficou olhando um pouco um pouco confuso. O que teria acontecido? Come&#231;ava a acreditar na teoria de Andr&#233;. Ficou mais um bom tempo l&#225; no banco pensando naquilo at&#233; olhar para o rel&#243;gio e ver que estava atrasado.

- Caraca!

Marcelo foi andando aos passos longos para a escola, afobado, atropelando algumas pessoas e ouvindo sua musiquinha:

&#8220;
As though you were born
And so you thought
The future's ours
To keep and hold
A child within
Has healing ways
It sees me through
My darkest days

I'm gonna keep catching that butterfly
In that dream of mine
I'm gonna keep catching that butterfly
In that dream of mine
&#8221;

Chegando a escola Marcelo avistou Andr&#233; logo no jardim de entrada esperando o sinal bater.

- Que est&#225; fazendo aqui Andr&#233;? Quer se atrasar de novo? &#8211; Disse um Marcelo ofegante.

- Fica calmo Marcelo... O professor avisou que ia atrasar... Problemas com o filhinho dele...

- E a gente vai ficar sem aula?

- Que nada, a professora de ingl&#234;s vem a&#237; dar aula. Ela mora aqui perto e como hoje tem aula dela mesmo... &#8211; Andr&#233; co&#231;ava os olhos enquanto escorregava mais e mais na parede.

- Ahh bom... Mas bem, encontrei a Julia hoje. &#8211; Marcelo disse de s&#250;bito fazendo com que Andr&#233; escorregasse de uma vez e sentasse no ch&#227;o.

- A essa hora?

- Sim, l&#225; na praia... Ela foi meio... Seca. &#8211; Marcelo estava falando meio envergonhado.

- Amigo... Julia &#233; assim mesmo. Ela &#224;s vezes &#233; a menina mais doce do planeta. Em seguida pode virar um monstro de sete cabe&#231;as! &#8211; Dizia Andr&#233; tentando segurar as risadas. Afinal, ele j&#225; tinha passado por essa situa&#231;&#227;o. &#8211; A Julia &#233; uma menina que se defende bastante de coisas novas... Ela precisa de espa&#231;o do come&#231;o da rela&#231;&#227;o. Pelo menos foi assim comigo.

- Ahh sim, eu sei como voc&#234; d&#225; espa&#231;o... Espa&#231;o suficiente pra ela n&#227;o ver voc&#234; pegando outra, n&#233;? &#8211; Marcelo n&#227;o definia se estava brincando ou querendo falar realmente mal de seu amigo.

- Muito engra&#231;ado. Mas bem, no fundo &#233; isso mesmo. Por isso deu certo no come&#231;o. Mas a&#237; com o tempo ela se sentindo mais segura colou mais em mim. E voc&#234; sabe... N&#227;o gosto de relacionamentos que me prendem.

- Sei muito bem...

- Mas voc&#234; &#233; o par perfeito pra ela! Voc&#234; &#233; o cara que sogrinha pediu a Deus hohoho &#8211; Quando mais Andr&#233; falava mais rugas amea&#231;avam aparecer na testa de Marcelo. &#8211; Olha Cel&#227;o, a professora ali!

- Bom dia, meninos.

- Bom dia professora! &#8211; Andr&#233; levantou de prontid&#227;o e fez refer&#234;ncia a professora, depois beijou a sua m&#227;o.

- Sempre me cantando n&#233; Andr&#233;? Voc&#234; n&#227;o tem jeito. &#8211; A professora tinha cabelos encaracolados e ruivos. Realmente bonita, chamava a aten&#231;&#227;o de v&#225;rios alunos.

- Liga pra ele n&#227;o professora. &#8211; Marcelo se intrometeu. &#8211; Ele vai te trocar por outra rapidinho!

- Fala isso n&#227;o Marcelo!  - Andr&#233; deu um tapinha na nuca do amigo.

- Bem, vamos l&#225; garotos. &#8211; A professora agora se dirigia a sala de aula. Os dois meninos a seguiram em dire&#231;&#227;o a classe.

---

Julia estava sentada em um muro de sua escola. Olhava para o c&#233;u com uma cara de tristeza enquanto uma l&#225;grima caia pelo seu rosto.
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      <pubDate>Thu, 01 Jun 2006 03:43:25 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-18</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2006-06-01</dcterms:created>
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      <itunes:summary>Marcelo acordou cedo. Eram quatro e meia da manh&#227;. O sol ainda n&#227;o tinha aparecido no c&#233;u sem imagens de Santos. Tentou dormir de novo, mas n&#227;o sentia sono nenhum. Resolveu ent&#227;o tomar um banho e caf&#233; enquanto pensava no que fazer. Cantarolava uma m&#250;sica logo de manh&#227;. A m&#250;sica veio a sua cabe&#231;a sem nem bater na porta:

&#8220;
I've nothing much to offer
There's nothing much to take
I'm an absolute beginner
And I'm absolutely sane

(...)

If our love song
Could fly over mountains
Could laugh at the ocean
Just like the films
There's no reason
To feel all the hard times
To lay down the hard lines
It's absolutely true
&#8221;

- Acordar com Absolute Beginners na cabe&#231;a... Deve ser um bom sinal - Disse pra si mesmo enquanto sentava pra tomar seu caf&#233; forte de todos os dias. O solo de um instrumento que ele pensava ser um sax continuava a tocar na sua cabe&#231;a.

Logo terminou o caf&#233;, se trocou, pegou seu MP3 Player e saiu de casa. N&#227;o iria precisar pegar o &#244;nibus para ir &#224; escola, ainda estava muito cedo. Resolveu caminhar pela praia enquanto ouvia algumas m&#250;sicas.

Ao sair deixou um bilhete para sua m&#227;e avisando do fato e pegou a mochila. Quando estava saindo de casa avistou uma pessoa na rua: Era um menino de aproximadamente 17 anos tocando um viol&#227;o e cantando com muita vontade:

&#8220;
She looks like the real thing
She tastes like the real thing
My fake plastic love

But I can't help the feeling 
I could blow through the ceiling
If I just turn and run 

And it wears me out, it wears me out
It wears me out, it wears me out 

And if I could be who you wanted
If I could be who you wanted 
All the time, all the time
&#8221;

- Que t&#225; olhando o playboyzinho? - Disse o garoto que tinha os cabelos encaracolados e negros, parecia n&#227;o tomar banho faz. alguns dias.

- Nada... - Marcelo voltou a andar normalmente - Voc&#234; toca bem garoto. E canta tamb&#233;m hehe.

- Cuida da tua vida &#244; man&#233;! - Berrou o menino.

- Cuidarei. - Marcelo saiu andando um pouco irritado com a hostilidade do menino. Foi andando at&#233; chegar &#224; praia, diminuiu o passo e foi apreciando a paisagem, enquanto ouvia uma de suas mp3's:

&#8220;
N&#227;o vou viver, como algu&#233;m que s&#243; espera um novo amor
H&#225; outras coisas no caminho aonde eu vou
As vezes ando s&#243;, trocando passos com a solid&#227;o
Momentos que s&#227;o meus e que n&#227;o abro m&#227;o
&#8221;

Estava tranq&#252;ilo olhando o mar quando passou pelo banco mais importante na praia, para ele. Olhou pro rel&#243;gio e viu que ainda tinha tempo, resolveu se sentar e pensar um pouco enquanto olhava para o mar. O dito cujo estava l&#225; como sempre, sujo, mas ainda belo de longe. Ficou pensando em Julia mais uma vez. Nenhum pensamento novo na mente... Sempre os mesmos. Ali&#225;s, percebera que Julia ocupava uma boa parte dos seus pensamentos durante seus dias. Achava que estava ficando louco.

- Julia, Julia, Julia. Sai daqui um pouco!

- Nossa! Voc&#234; &#233; bom em prever as coisas! Mas porque tanta hostilidade? - Disse uma voz atr&#225;s dele.

- Ju-Julia? - Parecia espantado ao v&#234;-la ali.

- Oi.

- Olha s&#243;, a gente combina sexta e quinta feira o destino nos une! - Tentava corrigir a m&#225; impress&#227;o que tinha deixado.

- &#201;... Bem, j&#225; estou indo. At&#233; amanh&#227; Marcelo. - Julia saiu andando sem mais nem menos.

Marcelo ficou olhando um pouco um pouco confuso. O que teria acontecido? Come&#231;ava a acreditar na teoria de Andr&#233;. Ficou mais um bom tempo l&#225; no banco pensando naquilo at&#233; olhar para o rel&#243;gio e ver que estava atrasado.

- Caraca!

Marcelo foi andando aos passos longos para a escola, afobado, atropelando algumas pessoas e ouvindo sua musiquinha:

&#8220;
As though you were born
And so you thought
The future's ours
To keep and hold
A child within
Has healing ways
It sees me through
My darkest days

I'm gonna keep catching that butterfly
In that dream of mine
I'm gonna keep catching that butterfly
In that dream of mine
&#8221;

Chegando a escola Marcelo avistou Andr&#233; logo no jardim de entrada esperando o sinal bater.

- Que est&#225; fa</itunes:summary>
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      <title>Antes que Seja tarde Cap 4</title>
      <description>&lt;img src="http://walbher.podOmatic.com/mymedia/thumb/21410/0x0_641384.jpg" alt="itunes pic" /&gt;&lt;br /&gt;Marcelo estava com Andr&#233; no j&#225; conhecido Caf&#233; Hollywood tomando o seu caf&#233; e esperando o amigo esclarecer todas as suas duvidas sobre Julia.

- E ent&#227;o? - Disse Marcelo colocando a x&#237;cara de caf&#233; no pires enquanto olhava nos olhos de Andr&#233;.

- E ent&#227;o o que? - Disse Andr&#233; com uma cara confusa.

- Voc&#234; conhece a Julia? Como assim "J&#225; namoramos"?

- Ah, a Julia foi o grande amor de minha vida. - Disse Andr&#233; brincando. Marcelo continuou olhando pra ele com uma cara nada amig&#225;vel. - Terminei com ela a 4 m&#234;ses atr&#225;s...

- S&#243; 4 m&#234;ses? Bem, isso foi antes do cursinho come&#231;ar e eu te rever... namorava ela desde quando? Eu deveria lembrar dela. Afinal, se foi "O  amor de sua vida, ui ui ui" voc&#234; deve ter ficado ela por um bom tempo.

- Namorei ela desde Janeiro...

- E terminou com ela em mar&#231;o? - Marcelo fez uma cara de espanto.

- &#201; oras, 2 m&#234;ses... Um recorde. - Andr&#233; come&#231;ou a gargalhar.

- Piff... E eu achando que voc&#234; falava s&#233;rio... - Marcelo deu o ultimo gole no seu caf&#233;, pegou seu chiclete e dessa vez jogou a embalagem na testa de Andr&#233;.

- Ai Marcelo, voc&#234; me diverte... - Andr&#233; ainda estava tentando parar de dar risada.

- Chega n&#233;, Andr&#233;?

- Ok, ok... Mas bem, ent&#227;o &#233; a Julia n&#233;? - Disse Andr&#233; enquanto parava de rir.

- Sim, a Julia. - Disse Marcelo enquanto uma m&#250;sica come&#231;ava a tocar no estabelecimento:

"
Hey where did we go
Days when the rains came
Down in a hollow
Playin' a new game

Laughin' and a runnin' hey hey
Skippin' and a jumpin'
In the misty mornin' fog
With our, our hearts a thumpin'
And you my brown eyed girl
You my brown eyed girl
"

- Cuidado amigo, ela &#233; meio inconstante. Se &#233; que voc&#234; me entende... - Disse Andr&#233; olhando para a rua.

- Como assim? A Julia &#233; um doce de pessoa!

- &#201;, mas as vezes eu penso que existem pelo menos umas 4 Julias naquele corpo. - Andr&#233; deu uma risadinha c&#237;nica enquanto mordia sua barra de cereais tranquilamente.

- Voc&#234; &#233; que &#233; fresco Andr&#233;... Aposto que voc&#234; deve ter provocado isso nela! - Marcelo parecia querer, tamb&#233;m, tirar um sarro do amigo.

- Ha, ha, ha. Voc&#234; que sabe Marcelo. - Disse debochadamente Andr&#233;. - Vamos voltar a aula!

Naquela noite de Quarta-Feira Marcelo decidiu ligar para Julia para ver como ela estava. Ainda eram sete da noite. O telefone tocou 4 vezes e finalmente foi atendido por uma voz bem grossa:

- Al&#244;? - Disse a voz.

- O-oi, eu queria falar com a Julia, por favor.

- Vou chama-la. - A voz grossa de repente ficou mais distante pois chamava Julia.

- Al&#244;, quem fala? - Julia atendeu o telefone.

- Oi Julia, sou eu.

- "Eu" quem?

- Eu, Marcelo! Lembra de domingo a noite?

- Ahh sim! Oi Marcelo! Desculpa, ainda n&#227;o me acostumei com a sua voz. - Disse Julia sorrindo com um tom meio envergonhado.

- Liguei para ver como voc&#234; est&#225;!

- Ah, eu estou bem...

- &#201; mesmo? E o livro, quando vou poder ler?

- Hum... Em breve!

- Que tal na sexta a noite? No mesmo banco?

- Pode ser! Te vejo l&#225; as... - Parou para pensar um pouco. - Que tal as oito da noite?

- Combinado! Estarei esperando, hein?

- Pode deixar Celo, posso te chamar assim n&#233;? - Disse dando uma risadinha.

- Pode sim, hehe.

- Ok. Ent&#227;o... - De repente parou de falar, sua voz reapareceu, s&#243; que n&#227;o era direcionada a ele e sim a outra pessoa - Calma, espera a&#237;, j&#225; to indo!

- Al&#244;?

- Espera Marcelo... - Disse secamente enquanto continuava a falar alto - N&#227;o pode fazer sozinho enquanto eu falo no telefone? &#201; s&#243; olhar e desligar quando estiver pronto, caralho!

Marcelo esperarva, meio envergonhado.

- Olha Marcelo, te vejo na sexta, aqui t&#225; um inferno!

- Ok. Te vejo sexta, beijos Julia!

- Tchau.

Marcelo ficou imaginando como seria a casa de Julia naquele momento. Estava com uma sensa&#231;&#227;o ruim pelo final da conversa, mas sabia que n&#227;o era por causa dele. Resolveu ent&#227;o deitar na sua cama e ir dormir. Mas seus pensamentos estavam confusos. Uma nova rela&#231;&#227;o fazia isso com ele. J&#225; teve muitas experi&#234;ncias ruims no passado e n&#227;o aentendia como funcionava a engrenagem chamada "Amor". Era algo que, pelo que ele entendia, deveria ser um sentimento bom. Mas trazia tanto sofrimento e prova&#231;&#245;es. Por qu&#234; ele tinha que passar po essas provas? Pra que sofrer? Ele n&#227;o sabia a resposta. Mas sabia que todas as meninas que ele teve uma rela&#231;&#227;o sem sofrimento, pelo menos pra ele, n&#227;o duraram muito tempo.

Decidiu ent&#227;o parar de divagar e dormir. Amanh&#227; seria outro dia. No seu r&#225;dio - tinha o costume de ouvir m&#250;sica para dormir - tocava uma m&#250;sica:

"
Atravesso a noite com um verso
Que n&#227;o se resolve
Na outra m&#227;o as flores
Como se flores bastassem
Eu espero
E espero
N&#227;o funcionam luzes, telefones
Nada se resolve
Trens parados, carros engui&#231;ados
Avi&#245;es no p&#225;tio esperam
E esperam
A chave que abre o c&#233;u
D&#180;aonde caem as palavras
A palavra certa
Que fa&#231;a o mundo andar
" 
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      <pubDate>Thu, 25 May 2006 16:09:23 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-19</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2006-05-25</dcterms:created>
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      <dc:creator>walbher</dc:creator>
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      <itunes:explicit>no</itunes:explicit>
      <itunes:summary>Marcelo estava com Andr&#233; no j&#225; conhecido Caf&#233; Hollywood tomando o seu caf&#233; e esperando o amigo esclarecer todas as suas duvidas sobre Julia.

- E ent&#227;o? - Disse Marcelo colocando a x&#237;cara de caf&#233; no pires enquanto olhava nos olhos de Andr&#233;.

- E ent&#227;o o que? - Disse Andr&#233; com uma cara confusa.

- Voc&#234; conhece a Julia? Como assim "J&#225; namoramos"?

- Ah, a Julia foi o grande amor de minha vida. - Disse Andr&#233; brincando. Marcelo continuou olhando pra ele com uma cara nada amig&#225;vel. - Terminei com ela a 4 m&#234;ses atr&#225;s...

- S&#243; 4 m&#234;ses? Bem, isso foi antes do cursinho come&#231;ar e eu te rever... namorava ela desde quando? Eu deveria lembrar dela. Afinal, se foi "O  amor de sua vida, ui ui ui" voc&#234; deve ter ficado ela por um bom tempo.

- Namorei ela desde Janeiro...

- E terminou com ela em mar&#231;o? - Marcelo fez uma cara de espanto.

- &#201; oras, 2 m&#234;ses... Um recorde. - Andr&#233; come&#231;ou a gargalhar.

- Piff... E eu achando que voc&#234; falava s&#233;rio... - Marcelo deu o ultimo gole no seu caf&#233;, pegou seu chiclete e dessa vez jogou a embalagem na testa de Andr&#233;.

- Ai Marcelo, voc&#234; me diverte... - Andr&#233; ainda estava tentando parar de dar risada.

- Chega n&#233;, Andr&#233;?

- Ok, ok... Mas bem, ent&#227;o &#233; a Julia n&#233;? - Disse Andr&#233; enquanto parava de rir.

- Sim, a Julia. - Disse Marcelo enquanto uma m&#250;sica come&#231;ava a tocar no estabelecimento:

"
Hey where did we go
Days when the rains came
Down in a hollow
Playin' a new game

Laughin' and a runnin' hey hey
Skippin' and a jumpin'
In the misty mornin' fog
With our, our hearts a thumpin'
And you my brown eyed girl
You my brown eyed girl
"

- Cuidado amigo, ela &#233; meio inconstante. Se &#233; que voc&#234; me entende... - Disse Andr&#233; olhando para a rua.

- Como assim? A Julia &#233; um doce de pessoa!

- &#201;, mas as vezes eu penso que existem pelo menos umas 4 Julias naquele corpo. - Andr&#233; deu uma risadinha c&#237;nica enquanto mordia sua barra de cereais tranquilamente.

- Voc&#234; &#233; que &#233; fresco Andr&#233;... Aposto que voc&#234; deve ter provocado isso nela! - Marcelo parecia querer, tamb&#233;m, tirar um sarro do amigo.

- Ha, ha, ha. Voc&#234; que sabe Marcelo. - Disse debochadamente Andr&#233;. - Vamos voltar a aula!

Naquela noite de Quarta-Feira Marcelo decidiu ligar para Julia para ver como ela estava. Ainda eram sete da noite. O telefone tocou 4 vezes e finalmente foi atendido por uma voz bem grossa:

- Al&#244;? - Disse a voz.

- O-oi, eu queria falar com a Julia, por favor.

- Vou chama-la. - A voz grossa de repente ficou mais distante pois chamava Julia.

- Al&#244;, quem fala? - Julia atendeu o telefone.

- Oi Julia, sou eu.

- "Eu" quem?

- Eu, Marcelo! Lembra de domingo a noite?

- Ahh sim! Oi Marcelo! Desculpa, ainda n&#227;o me acostumei com a sua voz. - Disse Julia sorrindo com um tom meio envergonhado.

- Liguei para ver como voc&#234; est&#225;!

- Ah, eu estou bem...

- &#201; mesmo? E o livro, quando vou poder ler?

- Hum... Em breve!

- Que tal na sexta a noite? No mesmo banco?

- Pode ser! Te vejo l&#225; as... - Parou para pensar um pouco. - Que tal as oito da noite?

- Combinado! Estarei esperando, hein?

- Pode deixar Celo, posso te chamar assim n&#233;? - Disse dando uma risadinha.

- Pode sim, hehe.

- Ok. Ent&#227;o... - De repente parou de falar, sua voz reapareceu, s&#243; que n&#227;o era direcionada a ele e sim a outra pessoa - Calma, espera a&#237;, j&#225; to indo!

- Al&#244;?

- Espera Marcelo... - Disse secamente enquanto continuava a falar alto - N&#227;o pode fazer sozinho enquanto eu falo no telefone? &#201; s&#243; olhar e desligar quando estiver pronto, caralho!

Marcelo esperarva, meio envergonhado.

- Olha Marcelo, te vejo na sexta, aqui t&#225; um inferno!

- Ok. Te vejo sexta, beijos Julia!

- Tchau.

Marcelo ficou imaginando como seria a casa de Julia naquele momento. Estava com uma sensa&#231;&#227;o ruim pelo final da conversa, mas sabia que n&#227;o era por causa dele. Resolveu ent&#227;o deitar na sua cama e ir dormir. Mas seus pensamentos estavam confusos. Uma nova rela&#231;&#227;o fazia isso com ele. J&#225; teve muitas experi&#234;ncias r</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>Antes que Seja tarde Cap 3</title>
      <description>&lt;img src="http://walbher.podOmatic.com/mymedia/thumb/21410/0x0_641385.jpg" alt="itunes pic" /&gt;&lt;br /&gt;Marcelo andava pelas ruas de sua cidade. Ele se encaminhava para o seu cursinho de que tanto precisava para passar numa faculdade decente. Isso o irritava muito. Afinal, a faculdade n&#227;o era pra ser de gra&#231;a? Por que gastar uma nota preta?

- Oe! - Cumprimentou um colega de classe.

- Fala ae Marcelo! - Respondeu o outro.

- Desculpa a demora, tava distra&#237;do enquanto vinha para c&#225;. Qual a mat&#233;ria de hoje?

- Ah... - Olhou de novo para a lousa o garoto - Pessoa! - Falou sorrindo envergonhado.

- Nem tava prestando aten&#231;&#227;o n&#233;? - Reclamou Marcelo.

As aulas se passaram e no intervalo os dois amigos foram a uma cafeteria ali pr&#243;xima - como sempre faziam. Um ambiente agrad&#225;vel e calmo. Um radinho tocava uma m&#250;sica de fundo:

"Yes and how many times must a man look up,
Before he can see the sky?
Yes and how many ears must one man have,
Before he can hear people cry?
Yes and how many deaths will it take till he knows
That too many people have died?
The answer, my friend, is blowin' in the wind
The answer is blowin' in the wind"

- E ae Andr&#233;, como v&#227;o os estudos? - Perguntou Marcelo logo depois de pedirem um caf&#233; para cada um.

- Hohoho, os estudos... - Andr&#233; olhou pra cima com uma cara de sonso incompar&#225;vel.

- Que coisa hein? T&#225; certo que esse vestibular &#233; injusto, mas n&#227;o &#233; por isso que voc&#234; n&#227;o vai se esfor&#231;ar pra passar n&#233;? - Marcelo repreendeu o amigo.

- Que nada, nesse mundo existem dois tipos de pessoas: As que tem dinheiro e as que tem que ter dinheiro. Eu tenho dinheiro, n&#227;o preciso criar novas fontes. S&#243; uma faculdade paga simples e eu j&#225; tenho meu futuro garantido. - Falou arrogantemente o amigo.

- Eu n&#227;o compartilho dessa sua opini&#227;o Andr&#233;, mas tudo bem, eu te entendo. - Falou Marcelo de um jeito que parecia querer fugir de uma briga. E assim voltou a olhar para a janela.

O r&#225;dio continuava a tocar:

"Once upon a time you dressed so fine
You threw the bums a dime in your prime, didn't you?
People'd call, say, "Beware doll, you're bound to fall"
You thought they were all kiddin' you
You used to laugh about
Everybody that was hangin' out
Now you don't talk so loud
Now you don't seem so proud
About having to be scrounging for your next meal.
How does it feel
How does it feel
To be without a home
Like a complete unknown
Like a rolling stone?"

- Que velharia essas m&#250;sicas hein Joaquim. - Falou Andr&#233; para o dono da cafeteria que estava ali perto.

- Bob Dylan, meu amigo! Pode ser velharia, mas &#233; melhor que noventa e nove por cento das m&#250;sicas de hoje que tocam nas r&#225;dios. - Respondeu o Seu Joaquim

- Voc&#234; que sabe... - Andr&#233; virou e viu que logo o nerd musical que era o seu amigo n&#227;o estava interessado na conversa, estava olhando para a janela viajando. - Ei, t&#225; no mundo da lua Marcelo?

- Estava pensando em algumas coisas...

- Aposto que tem uma garota no meio disso, hehehe - Provocou.

- &#201; Andr&#233;... Voc&#234; &#233; habilidoso para essas coisas. &#201; sim, voc&#234; acertou - Marcelo deu um sorrisinho t&#237;mido enquanto olhava para baixo.

- E qual o nome dela? - Andr&#233; se ajeitou na cadeira todo animado.

- Julia...

- Julia? Nome bonit&#227;o hein? hehehe

- &#201; sim...

- O que &#233; isso Marcelo? Achei que voc&#234; estaria mais animado! Qual o problema? Tomou um fora?

- N&#227;o, na verdade foi &#243;timo - Marcelo pegou o dinheiro do caf&#233; e colocou na mesa. Depois abriu um chiclete e jogou o papel no distante lixo, acertando-o. - Mas voc&#234; sabe da minha situa&#231;&#227;o...

- Sei... - Andr&#233; chegou mais perto de Marcelo e continuou a falar em um tom mais baixo - Mas n&#227;o se esque&#231;a que voc&#234; ainda tem tempo, n&#227;o deixe que o futuro estrague o presente.

- Hoho, sempre com alguma coisa pra me acertar em cheio n&#233; Andr&#233;?

- Voc&#234; sabe, eu sou foda! - Falava isso enquanto fazia cara de gostos&#227;o para Marcelo. - Mas aposto que essa garota &#233; gostosona hein, hein? - Cutucou o amigo

- Ahh... Cala a boca Andr&#233;!

O tempo se passou, mais aulas foram assistidas e no final daquele dia desgastante os dois amigos se despediram:

- At&#233; mais Andr&#233;!

- At&#233;, garanh&#227;o! - Marcelo ao ouvir isso ficou paralisado olhando com uma cara de amea&#231;a para Andr&#233; - Brincadeira, brincadeira! Hehehe.

Andr&#233; se dirigiu para o seu apartamento que ficava ali perto, de frente a praia, no caminho, por&#233;m, encontrou uma amiga que n&#227;o via faz algumas semanas:

- Ol&#225; Julia! - Andr&#233; cumprimentou ainda um pouco longe dela.

- Olha se n&#227;o &#233; o Andr&#233;!? Como vai garoto? - Disse chegando finalmente perto de Andr&#233; - E a Luiza?

- Passado, passado! - Sorriu o garoto.

- Passado? Mais uma n&#227;o &#233;? Voc&#234; n&#227;o tem jeito mesmo... - Julia fez uma cara de "nervosa" para Andr&#233; que apenas deu uma gargalhada - Qual foi o seu recorde? 3 semanas? 1 m&#234;s?

- Ora Julia, voc&#234; sabe muito bem! Dois meses oras - Sorriu o garoto.

- &#201;, foram dois meses legais at&#233; voc&#234; se enjoar de mim n&#233;?

- Hohoho, n&#227;o me deixe em saia justa!

- Ok, mas saiba que encontrei gente muito melhor que voc&#234;! - Falou com certa mal&#237;cia a menina.

- Duvido! Quem pode ser melhor que eu?

- Ora - Julia soltou uma risadinha - Quer que eu responda mesmo, Andr&#233;?

- Voc&#234; t&#225; malvada hoje hein...

- Desculpa, desculpa... O nome dele &#233; Marcelo e, al&#233;m de lindo, toca e canta viol&#227;o! - Resolveu se gabar a menina.

- Ahn... Marcelo?

- Sim, Marcelo!

No dia seguinte, na sala de aula, Andr&#233; teve sua vez de chegar atrasado:

- E ae, Andr&#233;! - Cumprimentou Marcelo.

- Fala, garanh&#227;o! - brincou o amigo.

- Continua com esse papo? Acho que n&#227;o devia ter contado a voc&#234; sobre ontem... - Marcelo virou meio nervoso para o caderno.

- Olha, voc&#234; que pensa... Vi ela ontem! - Sorriu o garoto.

- O-o que? - Repentinamente virou espantado para o amigo.

- Julia, certo? Cabelo caracol, preto... Olhos castanhos... Meio magra pro meu gosto, mas sempre cativante hehe - Falava isso enquanto olhava para Marcelo que estava boquiaberto.

- Vo-Voc&#234; conhece ela?

- Sim, j&#225; namoramos, faz dois anos... A minha m&#227;e e a dela trabalham no mesmo lugar, s&#227;o grandes amigas. Encontrei ela ontem enquanto voltava para casa.

- Na-namoraram?

- Para de gaguejar! N&#227;o combina com voc&#234;.

- Ei voc&#234;s dois - Interrompeu o professor - Se voc&#234;s n&#227;o querem aprender tudo bem. Mas n&#227;o atrapalhem o resto da classe.

- Desculpa professor - Falou Andr&#233; meio envergonhado. - Depois falamos sobre isso, ok? - Disse baixinho virando para Marcelo.

- Ok... - respondeu o garoto. Marcelo estava confuso. Feliz por ter achado uma liga&#231;&#227;o com Julia. Mas chocado por ela ter namorado Andr&#233;, realmente n&#227;o combinava com a Julia que ele conheceu. Resolveu voltar a aula de F&#237;sica que estava tendo e pensar isso depois, no intervalo, com Andr&#233;.</description>
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      <pubDate>Fri, 19 May 2006 03:55:04 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-08</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2006-05-19</dcterms:created>
      <link>http://walbher.podOmatic.com</link>
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      <itunes:summary>Marcelo andava pelas ruas de sua cidade. Ele se encaminhava para o seu cursinho de que tanto precisava para passar numa faculdade decente. Isso o irritava muito. Afinal, a faculdade n&#227;o era pra ser de gra&#231;a? Por que gastar uma nota preta?

- Oe! - Cumprimentou um colega de classe.

- Fala ae Marcelo! - Respondeu o outro.

- Desculpa a demora, tava distra&#237;do enquanto vinha para c&#225;. Qual a mat&#233;ria de hoje?

- Ah... - Olhou de novo para a lousa o garoto - Pessoa! - Falou sorrindo envergonhado.

- Nem tava prestando aten&#231;&#227;o n&#233;? - Reclamou Marcelo.

As aulas se passaram e no intervalo os dois amigos foram a uma cafeteria ali pr&#243;xima - como sempre faziam. Um ambiente agrad&#225;vel e calmo. Um radinho tocava uma m&#250;sica de fundo:

"Yes and how many times must a man look up,
Before he can see the sky?
Yes and how many ears must one man have,
Before he can hear people cry?
Yes and how many deaths will it take till he knows
That too many people have died?
The answer, my friend, is blowin' in the wind
The answer is blowin' in the wind"

- E ae Andr&#233;, como v&#227;o os estudos? - Perguntou Marcelo logo depois de pedirem um caf&#233; para cada um.

- Hohoho, os estudos... - Andr&#233; olhou pra cima com uma cara de sonso incompar&#225;vel.

- Que coisa hein? T&#225; certo que esse vestibular &#233; injusto, mas n&#227;o &#233; por isso que voc&#234; n&#227;o vai se esfor&#231;ar pra passar n&#233;? - Marcelo repreendeu o amigo.

- Que nada, nesse mundo existem dois tipos de pessoas: As que tem dinheiro e as que tem que ter dinheiro. Eu tenho dinheiro, n&#227;o preciso criar novas fontes. S&#243; uma faculdade paga simples e eu j&#225; tenho meu futuro garantido. - Falou arrogantemente o amigo.

- Eu n&#227;o compartilho dessa sua opini&#227;o Andr&#233;, mas tudo bem, eu te entendo. - Falou Marcelo de um jeito que parecia querer fugir de uma briga. E assim voltou a olhar para a janela.

O r&#225;dio continuava a tocar:

"Once upon a time you dressed so fine
You threw the bums a dime in your prime, didn't you?
People'd call, say, "Beware doll, you're bound to fall"
You thought they were all kiddin' you
You used to laugh about
Everybody that was hangin' out
Now you don't talk so loud
Now you don't seem so proud
About having to be scrounging for your next meal.
How does it feel
How does it feel
To be without a home
Like a complete unknown
Like a rolling stone?"

- Que velharia essas m&#250;sicas hein Joaquim. - Falou Andr&#233; para o dono da cafeteria que estava ali perto.

- Bob Dylan, meu amigo! Pode ser velharia, mas &#233; melhor que noventa e nove por cento das m&#250;sicas de hoje que tocam nas r&#225;dios. - Respondeu o Seu Joaquim

- Voc&#234; que sabe... - Andr&#233; virou e viu que logo o nerd musical que era o seu amigo n&#227;o estava interessado na conversa, estava olhando para a janela viajando. - Ei, t&#225; no mundo da lua Marcelo?

- Estava pensando em algumas coisas...

- Aposto que tem uma garota no meio disso, hehehe - Provocou.

- &#201; Andr&#233;... Voc&#234; &#233; habilidoso para essas coisas. &#201; sim, voc&#234; acertou - Marcelo deu um sorrisinho t&#237;mido enquanto olhava para baixo.

- E qual o nome dela? - Andr&#233; se ajeitou na cadeira todo animado.

- Julia...

- Julia? Nome bonit&#227;o hein? hehehe

- &#201; sim...

- O que &#233; isso Marcelo? Achei que voc&#234; estaria mais animado! Qual o problema? Tomou um fora?

- N&#227;o, na verdade foi &#243;timo - Marcelo pegou o dinheiro do caf&#233; e colocou na mesa. Depois abriu um chiclete e jogou o papel no distante lixo, acertando-o. - Mas voc&#234; sabe da minha situa&#231;&#227;o...

- Sei... - Andr&#233; chegou mais perto de Marcelo e continuou a falar em um tom mais baixo - Mas n&#227;o se esque&#231;a que voc&#234; ainda tem tempo, n&#227;o deixe que o futuro estrague o presente.

- Hoho, sempre com alguma coisa pra me acertar em cheio n&#233; Andr&#233;?

- Voc&#234; sabe, eu sou foda! - Falava isso enquanto fazia cara de gostos&#227;o para Marcelo. - Mas aposto que essa garota &#233; gostosona hein, hein? - Cutucou o amigo

- Ahh... Cala a boca Andr&#233;!

O tempo se passou, mais aulas foram assistidas e no final daquele dia desgastante os dois amigo</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>Antes que Seja Tarde Cap2</title>
      <description>&lt;img src="http://walbher.podOmatic.com/mymedia/thumb/21410/0x0_641386.jpg" alt="itunes pic" /&gt;&lt;br /&gt;- E o que uma menina t&#227;o sorridente como voc&#234; faz a essa hora num banco de praia, com os olhos vermelhos? - Perguntou Marcelo curioso.

- Ah, como pode ver, n&#227;o estou sempre sorridente, hehe - Falou meio envergonhada Julia, mas continuava sorrindo - &#201; essa vida, era t&#227;o f&#225;cil quando eu era menininha...

- Concordo com voc&#234; - Falou Marcelo com os olhos abaixados - Quando crescemos, o mundo faz quest&#227;o de colocar a gente na parede... Acabamos esquecendo das coisas bonitas da vida... Brigamos com nossos irm&#227;os, esquecemos nossos velhos amigos, perdemos o amor pela pessoa mais querida da nossa vida... S&#243; h&#225; tempo para continuar a trabalhar e fazer com que o mundo continue a n&#227;o pensar.

- Sim! E o mais legal &#233; que quando a gente crescer vamos ser iguais a todos os outros, mesmo com essas id&#233;ias na nossa cabe&#231;a neste momento. &#201; triste... - Julia suspirou e olhou com olhos vazios para o mar.

Nesse momento, Marcelo puxou o viol&#227;o para seus bra&#231;os e come&#231;ou a cantar em tom c&#244;mico:

"
D        F#m        G                       D         F#m           G
Hoje eu sei que quem me deu a id&#233;ia de uma nova consci&#234;ncia e juventude
D         F#m G             E         A4        A
T&#225; em casa,   guardado por Deus, contando vil metal
      D                    G                     D               G
Minha dor &#233; perceber que apesar de termos feito tudo que fizemos
            D           F#m    G     Ab    A 
N&#243;s ainda somos os mesmos e vivemos
       D            F#m    G     Ab    A 
Ainda somos os mesmos e vivemos
       D        F#m       G      E           A4  D
Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais
"

- Hahaha, nem lembrava dessa! Elis Regina! - A menina pareceu mais alegre.

- Sim, "como nossos pais"! - Respondeu alegre, Marcelo que j&#225; encostava o viol&#227;o do lado dele de novo.

Os dois continuaram a conversar sobre suas vidas e a descobrir os gostos em comum. Julia apreciava m&#250;sica tamb&#233;m - apesar de n&#227;o ser t&#227;o viciada quanto Marcelo - E gostava tamb&#233;m de ler livros, devorava-os sempre que podia. Estava tentando entrar para a faculdade de letras, mas obteve muitas decep&#231;&#245;es ao mostrar um de seus livros para algumas amigas: Todas elas, sem exce&#231;&#227;o, disseram que n&#227;o entenderam nada do que estava escrito l&#225;. Julia sentiu o forte golpe, mas continua a tentar escrever alguns livros.

- O que? N&#227;o gostaram deles? - Marcelo fez uma cara de espanto.

- N&#227;o, n&#227;o entenderam bulhufas! - Desabafou a garota.

- Pois eu quero ler esse seu livro! - Se animou Marcelo

- Rascunho. - Corrigiu Julia.

- Que seja, aposto que j&#225; t&#225; muito bom. - Sorriu Marcelo.

- Que nada, n&#227;o fale besteiras, voc&#234; nem leu!

- Ok, ent&#227;o irei ler antes de dar opini&#227;o...

E continuaram a conversa madrugada a fora, era incr&#237;vel para os dois verem que os assuntos n&#227;o paravam de surgir. Mal perceberam o tempo passar, at&#233; que uma hora Julia se tocou e olhou para o rel&#243;gio:

- Nossa, s&#227;o quase duas da manh&#227;! - Falou espantada.

- Duas? - Marcelo perguntou incr&#233;dulo.

- Duas! - respondeu esbugalhando os olhos a menina.

- &#201;, nem percebi o tempo passar, hehe - Marcelo olhou para Julia - Tamb&#233;m, com uma companhia dessas, quem perceberia?

- Sei, aposto que me achou uma chata e s&#243; t&#225; falando isso pra eu n&#227;o chorar mais - A menina fazia cara de brincadeira.

- hahaha, nunca faria isso!

- Ent&#227;o, n&#227;o me achou chata? - A menina falou abaixando a voz e fixando os olhos no garoto a sua frente.

- Claro que n&#227;o - O menino chegou mais perto falando com convic&#231;&#227;o, mas tamb&#233;m com voz baixa.

- N&#227;o mesmo...?

- N&#227;o...

- Nem um...

Naquele momento o silencio imperou, apenas as ondas do mar faziam barulho. A lua, como sempre, brilhava e uma brisa fria passava pelo local sem ser percebida pelos dois - que, ali&#225;s, n&#227;o tinham motivos para perceber algo que n&#227;o fosse o "evento" que estava ocorrendo naquele momento.

As duas e meia os dois jovens trocaram os &#250;ltimos carinhos e cada um foi para um lado, para suas respectivas casas. Marcelo estava caminhando e ao passar perto de uma casa ouviu uma m&#250;sica familiar:

"
 G              Cadd9        G        D Em
  we'll crucify the insincere tonight (tonight)
  G                        Cadd9             G        D Em
  we'll make things right, we'll feel it all tonight (tonight)
  G                   Cadd9     G        D Em
  we'll find a way to offer up the night, tonight 
  G                   Cadd9     G        D Em
  the indescribable moments of your life, tonight
  G                 Cadd9    G        D Em
  the impossible is possible tonight (tonight)
  G                  Cadd9           
  believe in me as i believe in you, tonight
                                    G D Em
  tonight, tonight, tonight, tonight...
"
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      <comments>http://walbher.podOmatic.com/entry/2006-05-14T19_41_16-07_00</comments>
      <pubDate>Mon, 15 May 2006 02:41:16 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-11</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2006-05-15</dcterms:created>
      <link>http://walbher.podOmatic.com</link>
      <dc:creator>walbher</dc:creator>
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      <itunes:summary>- E o que uma menina t&#227;o sorridente como voc&#234; faz a essa hora num banco de praia, com os olhos vermelhos? - Perguntou Marcelo curioso.

- Ah, como pode ver, n&#227;o estou sempre sorridente, hehe - Falou meio envergonhada Julia, mas continuava sorrindo - &#201; essa vida, era t&#227;o f&#225;cil quando eu era menininha...

- Concordo com voc&#234; - Falou Marcelo com os olhos abaixados - Quando crescemos, o mundo faz quest&#227;o de colocar a gente na parede... Acabamos esquecendo das coisas bonitas da vida... Brigamos com nossos irm&#227;os, esquecemos nossos velhos amigos, perdemos o amor pela pessoa mais querida da nossa vida... S&#243; h&#225; tempo para continuar a trabalhar e fazer com que o mundo continue a n&#227;o pensar.

- Sim! E o mais legal &#233; que quando a gente crescer vamos ser iguais a todos os outros, mesmo com essas id&#233;ias na nossa cabe&#231;a neste momento. &#201; triste... - Julia suspirou e olhou com olhos vazios para o mar.

Nesse momento, Marcelo puxou o viol&#227;o para seus bra&#231;os e come&#231;ou a cantar em tom c&#244;mico:

"
D        F#m        G                       D         F#m           G
Hoje eu sei que quem me deu a id&#233;ia de uma nova consci&#234;ncia e juventude
D         F#m G             E         A4        A
T&#225; em casa,   guardado por Deus, contando vil metal
      D                    G                     D               G
Minha dor &#233; perceber que apesar de termos feito tudo que fizemos
            D           F#m    G     Ab    A 
N&#243;s ainda somos os mesmos e vivemos
       D            F#m    G     Ab    A 
Ainda somos os mesmos e vivemos
       D        F#m       G      E           A4  D
Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais
"

- Hahaha, nem lembrava dessa! Elis Regina! - A menina pareceu mais alegre.

- Sim, "como nossos pais"! - Respondeu alegre, Marcelo que j&#225; encostava o viol&#227;o do lado dele de novo.

Os dois continuaram a conversar sobre suas vidas e a descobrir os gostos em comum. Julia apreciava m&#250;sica tamb&#233;m - apesar de n&#227;o ser t&#227;o viciada quanto Marcelo - E gostava tamb&#233;m de ler livros, devorava-os sempre que podia. Estava tentando entrar para a faculdade de letras, mas obteve muitas decep&#231;&#245;es ao mostrar um de seus livros para algumas amigas: Todas elas, sem exce&#231;&#227;o, disseram que n&#227;o entenderam nada do que estava escrito l&#225;. Julia sentiu o forte golpe, mas continua a tentar escrever alguns livros.

- O que? N&#227;o gostaram deles? - Marcelo fez uma cara de espanto.

- N&#227;o, n&#227;o entenderam bulhufas! - Desabafou a garota.

- Pois eu quero ler esse seu livro! - Se animou Marcelo

- Rascunho. - Corrigiu Julia.

- Que seja, aposto que j&#225; t&#225; muito bom. - Sorriu Marcelo.

- Que nada, n&#227;o fale besteiras, voc&#234; nem leu!

- Ok, ent&#227;o irei ler antes de dar opini&#227;o...

E continuaram a conversa madrugada a fora, era incr&#237;vel para os dois verem que os assuntos n&#227;o paravam de surgir. Mal perceberam o tempo passar, at&#233; que uma hora Julia se tocou e olhou para o rel&#243;gio:

- Nossa, s&#227;o quase duas da manh&#227;! - Falou espantada.

- Duas? - Marcelo perguntou incr&#233;dulo.

- Duas! - respondeu esbugalhando os olhos a menina.

- &#201;, nem percebi o tempo passar, hehe - Marcelo olhou para Julia - Tamb&#233;m, com uma companhia dessas, quem perceberia?

- Sei, aposto que me achou uma chata e s&#243; t&#225; falando isso pra eu n&#227;o chorar mais - A menina fazia cara de brincadeira.

- hahaha, nunca faria isso!

- Ent&#227;o, n&#227;o me achou chata? - A menina falou abaixando a voz e fixando os olhos no garoto a sua frente.

- Claro que n&#227;o - O menino chegou mais perto falando com convic&#231;&#227;o, mas tamb&#233;m com voz baixa.

- N&#227;o mesmo...?

- N&#227;o...

- Nem um...

Naquele momento o silencio imperou, apenas as ondas do mar faziam barulho. A lua, como sempre, brilhava e uma brisa fria passava pelo local sem ser percebida pelos dois - que, ali&#225;s, n&#227;o tinham motivos para perceber algo que n&#227;o fosse o "evento" que estava ocorrendo naquele momento.

As duas e meia os dois jovens trocaram os &#250;ltimos carinhos e cada um foi para um lado, para suas respectiva</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>Antes Que Seja Tarde Cap1</title>
      <description>&lt;img src="http://walbher.podOmatic.com/mymedia/thumb/21410/0x0_641387.jpg" alt="itunes pic" /&gt;&lt;br /&gt;Era noite na cidade de Santos, Litoral de S&#227;o Paulo, o c&#233;u como sempre estava sem estrelas, s&#243; a lua aparecia. No cal&#231;ad&#227;o, em frente a praia, um garoto andava, com seu viol&#227;o nas costas, olhando para baixo com uma cara desanimada. Tinha cabelo preto e grande, um pouco bagun&#231;ado. Usava cal&#231;a jeans e uma camiseta preta sem nada escrito. 

N&#227;o tinha sido um dia bom: N&#227;o dormiu bem a noite inteira, acordava a cada 2 horas, revirou a noite toda no travisseiro. No fim, s&#243; levantou da cama l&#225; pelas 14 horas.

- Boaa tardee! - Disse o pai do garoto em tom ir&#244;nico e ao mesmo tempo de bronca, como s&#243; os pais conseguem fazer.

- Hehe, bom dia pai. - Respondeu o garoto ainda se arrastando pelo ch&#227;o.

Depois de almo&#231;ar, deitou num canto e ficou l&#225; com seu viol&#227;o dedilhando. Seus pais vendo aquilo logo pararam ali e come&#231;aram a reclamar:

- N&#227;o vai estudar n&#227;o? Assim voc&#234; nunca vai passar na faculdade! - Falou o pai.

- Isso mesmo filho! Que folga &#233; essa? - Berrou a m&#227;e.

- Sim, sim, to indo - Falou resmungando baixo o filho.

O que se seguiu foi uma onda de broncas e serm&#245;es sobre responsabilidade e futuro. Mas o garoto n&#227;o podia fazer nada. Ele sabia que estava errado, sabia que seu pai estava certo. Mas ele n&#227;o encontrava for&#231;as em si mesmo para continuar lutando contra os seus erros, parecia que algo o dominava.

Os pais continuaram a bronca, desligaram o computador do menino, que estava ouvindo m&#250;sica por ele enquanto baixava mais coisas. O filho n&#227;o gostou da atitude: O problema dele n&#227;o era as coisas materiais, e sim ele mesmo. Ele tinha que melhorar, n&#227;o eram as coisas que deviam sumir dali. Mas ele encarou na boa, enquanto seu cora&#231;&#227;o apertava cada vez mais.

- E vai j&#225; estudar, senta naquela porra de escrivaninha e estude! - Berrou o pai transtornado

- To indo... - Falou o garoto, dando uma pequena bufada.

- Que foi? N&#227;o t&#225; levando a s&#233;rio? 

- N...

- T&#225; tirando uma da minha cara? 

- &#201; c...

- Por que essa cara de superior hein? 

- ...

- Odeio esse seu cinismo! 

- T&#225; caralho! Eu to indo estudar ent&#227;o - O garoto explodiu, tentava conversar mas n&#227;o conseguia. Seu pai ficou ainda mais nervoso e segurou a gola da camisa do seu filho e olhou bem nos olhos dele:

- Algum problema?

- N-N&#227;o - Tremeu o garoto - Ne-Nenhum.

O pai soltou ele e o menino ficou l&#225; parado. Assim que sairam do quarto, o menino tratou de se trocar e pegar o viol&#227;o. Enquanto a briga entre sua m&#227;e e seu pai come&#231;ava ele saiu de casa com o viol&#227;o nas costas, foi andar... E foi a&#237; onde come&#231;amos.

- Vou parar aqui nesse banco... - Pensou o menino.

Ele sentou no banco, retirou o seu viol&#227;o da capa e come&#231;ou a dedilhar ele, estava num banco em frente a praia, olhando para o mar:

"
D                    G
 When the day is long
        D
and the night,
                    G     D
the night is yours alone,
                              G
when you're sure you've had enough
         D           G
of this life, well hang on... "

N&#227;o sabia o que fazer... Voltar Pra casa? Dormir ali mesmo sabendo que era perigoso? Procurar algu&#233;m que ele considerava pelo menos um pouco amigo, j&#225; que n&#227;o achava que tinha realmente um amigo? Enquanto fazia essas perguntas algu&#233;m que estava em um banco ao lado levantou e foi at&#233; ele:

- Ol&#225;! Nossa, eu ouvi voc&#234; tocar... &#201; Everybody Hurts do R.E.M, n&#233;? - Comentou a menina. Ela tinha cabelos pretos, longos e encaracolados, mas estavam presos. Seus olhos eram castanhos e estavam um pouco vermelhos na hora.

- Ah... - Acordou do transe o garoto - Sim, sim! Eu adoro essa m&#250;sica, e achei que era uma boa hora para toca-la...

- Sei como &#233;... - A menina falou olhando pra baixo - Posso chorar minhas m&#225;goas nesse banco tamb&#233;m? - Sorriu.

- Opa, claro, sente ae, vamos nos afogar em &#225;guas salgadas, e olha que eu n&#227;o esou falando do mar hehe - Respondeu brincando o menino.

- Hahaha, sei... - Disse a garota que estava com um belo sorriso na cara - Ei, qual &#233; o seu nome?

- Opa, meu nome &#233; Marcelo, prazer. - estendeu a m&#227;o &#225;ra a menina - E o seu?

- O meu &#233; Julia. - Aceitou o cumprimento apertando a m&#227;o do garoto - Ei, voc&#234; toca legal! Toca uma m&#250;sica pra mim a&#237;!

- Vamos ver se voc&#234; conhece essa! - O garoto come&#231;ou a tocar o seu viol&#227;o:

"       A                      B11/A
All our friends / Now seem so thin and frail             
        E                      D
Slinky secrets / Hotter than the sun
            A                 B11/A
No peachy prayers / No trendy rush of faith
        E                    D
I'm with you / So I can't go on

        E                  D              A
All my violence / Raining tears upon the sheet
       E              D                       A
I'm bewildered / For we're strangers when we meet... "

- Nossa! De quem &#233; essa? - Perguntou a menina, mais animada.

- David Bowie! Strangers When We Meet, adoro essa m&#250;sica. - O garoto abriu um sorriso.

- Realmente gostei, depois quero ouvir a original hein? - Cobrou a menina sorridente.

- Pode deixar! - Apertou mais uma vez a m&#227;o da menina - Olha... que brinco legal! - Come&#231;ou a mexer no brinco da menina com cuidado, era uma estrela.             	              
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      <pubDate>Fri, 12 May 2006 13:58:53 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-12</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2006-05-12</dcterms:created>
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      <dc:creator>walbher</dc:creator>
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N&#227;o tinha sido um dia bom: N&#227;o dormiu bem a noite inteira, acordava a cada 2 horas, revirou a noite toda no travisseiro. No fim, s&#243; levantou da cama l&#225; pelas 14 horas.

- Boaa tardee! - Disse o pai do garoto em tom ir&#244;nico e ao mesmo tempo de bronca, como s&#243; os pais conseguem fazer.

- Hehe, bom dia pai. - Respondeu o garoto ainda se arrastando pelo ch&#227;o.

Depois de almo&#231;ar, deitou num canto e ficou l&#225; com seu viol&#227;o dedilhando. Seus pais vendo aquilo logo pararam ali e come&#231;aram a reclamar:

- N&#227;o vai estudar n&#227;o? Assim voc&#234; nunca vai passar na faculdade! - Falou o pai.

- Isso mesmo filho! Que folga &#233; essa? - Berrou a m&#227;e.

- Sim, sim, to indo - Falou resmungando baixo o filho.

O que se seguiu foi uma onda de broncas e serm&#245;es sobre responsabilidade e futuro. Mas o garoto n&#227;o podia fazer nada. Ele sabia que estava errado, sabia que seu pai estava certo. Mas ele n&#227;o encontrava for&#231;as em si mesmo para continuar lutando contra os seus erros, parecia que algo o dominava.

Os pais continuaram a bronca, desligaram o computador do menino, que estava ouvindo m&#250;sica por ele enquanto baixava mais coisas. O filho n&#227;o gostou da atitude: O problema dele n&#227;o era as coisas materiais, e sim ele mesmo. Ele tinha que melhorar, n&#227;o eram as coisas que deviam sumir dali. Mas ele encarou na boa, enquanto seu cora&#231;&#227;o apertava cada vez mais.

- E vai j&#225; estudar, senta naquela porra de escrivaninha e estude! - Berrou o pai transtornado

- To indo... - Falou o garoto, dando uma pequena bufada.

- Que foi? N&#227;o t&#225; levando a s&#233;rio? 

- N...

- T&#225; tirando uma da minha cara? 

- &#201; c...

- Por que essa cara de superior hein? 

- ...

- Odeio esse seu cinismo! 

- T&#225; caralho! Eu to indo estudar ent&#227;o - O garoto explodiu, tentava conversar mas n&#227;o conseguia. Seu pai ficou ainda mais nervoso e segurou a gola da camisa do seu filho e olhou bem nos olhos dele:

- Algum problema?

- N-N&#227;o - Tremeu o garoto - Ne-Nenhum.

O pai soltou ele e o menino ficou l&#225; parado. Assim que sairam do quarto, o menino tratou de se trocar e pegar o viol&#227;o. Enquanto a briga entre sua m&#227;e e seu pai come&#231;ava ele saiu de casa com o viol&#227;o nas costas, foi andar... E foi a&#237; onde come&#231;amos.

- Vou parar aqui nesse banco... - Pensou o menino.

Ele sentou no banco, retirou o seu viol&#227;o da capa e come&#231;ou a dedilhar ele, estava num banco em frente a praia, olhando para o mar:

"
D                    G
 When the day is long
        D
and the night,
                    G     D
the night is yours alone,
                              G
when you're sure you've had enough
         D           G
of this life, well hang on... "

N&#227;o sabia o que fazer... Voltar Pra casa? Dormir ali mesmo sabendo que era perigoso? Procurar algu&#233;m que ele considerava pelo menos um pouco amigo, j&#225; que n&#227;o achava que tinha realmente um amigo? Enquanto fazia essas perguntas algu&#233;m que estava em um banco ao lado levantou e foi at&#233; ele:

- Ol&#225;! Nossa, eu ouvi voc&#234; tocar... &#201; Everybody Hurts do R.E.M, n&#233;? - Comentou a menina. Ela tinha cabelos pretos, longos e encaracolados, mas estavam presos. Seus olhos eram castanhos e estavam um pouco vermelhos na hora.

- Ah... - Acordou do transe o garoto - Sim, sim! Eu adoro essa m&#250;sica, e achei que era uma boa hora para toca-la...

- Sei como &#233;... - A menina falou olhando pra baixo - Posso chorar minhas m&#225;goas nesse banco tamb&#233;m? - Sorriu.

- Opa, claro, sente ae, vamos nos afogar em &#225;guas salgadas, e olha que eu n&#227;o esou falando do mar hehe - Respondeu brincando o menino.

- Hahaha, sei... - Disse a garota que estava com um belo sorriso na cara - Ei, qual &#233; o seu nome?

- Opa</itunes:summary>
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